“Em memória de Francisco”

Nuno Piteira Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Cascais e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

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Hoje, assinalamos o primeiro aniversário da morte do papa Francisco. Após um ano de mudança e renovação, a sua pessoa permanece presente no meio de nós, seja pela lembrança das suas obras, seja pela memória do seu inigualável carisma.

Esta é, por isso, uma data em que a sua figura deve ser novamente evocada pelo que fez ao longo de toda a sua vida. E aqui, falo como português, mas, sobretudo, como cascalense.

Em Cascais, o papa Francisco marcou a vida das pessoas. Foi o primeiro papa a estar presente no nosso concelho, durante o memorável evento das Jornadas Mundiais da Juventude. Na altura, foi à sede do Scholas Occurrentes no nosso município, um projeto que fundou na Argentina. Num momento de alegria e comoção, dirigiu-se aos jovens com palavras de ânimo, salientando que a compaixão e a humildade são as chaves mais importantes para servir os outros, que permitem que se expressem plenamente.

No nosso município, o Scholas Occurrentes é um projeto que, vindo das mãos do papa Francisco, estimula estes valores em todos aqueles que contribuem para a sua construção. No espaço que lhes é disponibilizado e com a liberdade que lhes é dada, os jovens podem expressar-se livremente na arte, no desporto, nos estudos, na comunicação e na busca de novas soluções para os problemas das suas comunidades.

Por isso, em Cascais, este projeto tem sido essencial para construir o futuro da nossa comunidade através das gerações mais novas. Não apenas por ser um projeto para jovens, mas porque é um projeto que forma jovens – jovens com mais espírito de serviço, com mais sentido de responsabilidade e mais entrega comunitária.

Formar os jovens exige esforço e empenho de profissionais de Educação, das famílias e até de voluntários, muitos deles de paróquias ou da Cascais Jovem, a nossa empresa municipal para a juventude de Cascais.

Em cada uma das freguesias do nosso concelho, a solidariedade, a inclusão e a criação de uma comunidade onde todos contam é o resultado desta sólida relação de cooperação. Enquanto locais de encontro e acolhimento de pessoas de todas as gerações, instituições como, por exemplo, os centros comunitários paroquiais ajudam a responder a problemas sociais da atualidade como a solidão, a crise de saúde mental ou a desigualdade no acesso à Educação entre os mais jovens.

Numa comunidade com futuro para todas as gerações, a solidariedade é uma peça que tem de estar no centro da governação local. Que o legado do papa Francisco continue a inspirar-nos para a construção de uma sociedade melhor e de comunidades locais que sejam para todos, todos, todos.

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