Demitir o ministro?

João Teixeira Leite

Presidente da Câmara Municipal de Santarém

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Nas últimas semanas, vários partidos pediram a demissão do ministro da Educação. Estão no seu direito. Mas a pergunta que verdadeiramente importa é outra: Portugal está hoje melhor servido com Fernando Alexandre no Ministério da Educação do que estava há dois anos? A resposta é, para mim, evidente. Sim.

Durante demasiado tempo, a educação portuguesa viveu prisioneira da inércia. Os problemas acumulavam-se, as reformas eram sucessivamente adiadas e instalou-se a ideia de que nada podia mudar sem provocar um conflito. Fernando Alexandre recusou essa lógica. Trouxe método, capacidade de trabalho, liderança e uma invulgar vontade de enfrentar um setor onde abundam interesses instalados, rotinas burocráticas e demasiados “elefantes sentados”, confortáveis com o imobilismo.

Em pouco mais de um ano, conseguiu aquilo que muitos julgavam impossível. Fechou um acordo histórico com os professores sobre a recuperação do tempo de serviço, pondo fim a um conflito que marcava a Educação há quase uma década. Reformulou o sistema de colocação de docentes, procurando dar respostas a uma escassez de professores que ameaça a qualidade do ensino. Iniciou também um processo de simplificação administrativa, libertando escolas e direções para aquilo que realmente interessa: ensinar melhor.

É evidente que não basta. A Educação portuguesa continua a precisar de reformas profundas.

A primeira é tornar a profissão docente novamente atrativa. O país não pode resignar-se à falta de professores. É preciso modernizar a carreira, premiar o mérito, criar incentivos para a fixação de docentes onde fazem falta e devolver prestígio social à profissão.

A segunda passa por uma verdadeira autonomia das escolas. Não basta proclamar autonomia, é necessário confiar nas lideranças, reduzir a burocracia e responsabilizar quem decide pelos resultados alcançados. Só assim será possível inovar, adaptar respostas às diferentes comunidades educativas e elevar a qualidade do ensino.

Os reformistas raramente recolhem aplausos imediatos. Quem mexe no que está instalado enfrenta sempre resistência. Mas é precisamente essa resistência que demonstra que alguma coisa está, finalmente, a mudar.

Por isso, quando ouvimos pedir a demissão do ministro da Educação, a resposta parece-me óbvia. Portugal precisa que Fernando Alexandre continue. Precisa que mantenha a coragem de decidir, a determinação de reformar e a ambição de transformar a Educação portuguesa.

Porque a Educação não é apenas uma política pública. É o maior e o mais importante investimento que uma nação pode fazer a pensar no seu futuro coletivo. E esse futuro constrói-se com quem ousa mudar, nunca com quem prefere deixar tudo na mesma.

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