É da Teresa? Não, é da Joana!

Paulo Gonçalves Marcos

Presidente do SNQTB - Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários

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Permitam-me que partilhe a história da Teresa, igual a muitas outras Teresas. Nome fictício, situação real, vidas de carne e osso. Licenciada em meados dos anos 80, começou a sua carreira profissional em empresas comerciais na cidade do Porto. Com a liberalização e a abertura da economia portuguesa, na sequência da revisão constitucional, a Teresa foi trabalhar para o setor financeiro. Primeiro em empresas de locação financeira (leasing) e, no final da década, depois de cinco anos de trabalho, ingressou num banco, que uma década depois mudaria de nome ao ser integrado num grupo bancário espanhol.

Ao longo da sua carreira bancária, mormente na primeira década, a Teresa foi sendo promovida. Promovida? Na verdade, não foi bem assim. Na realidade, foi sendo recompensada sob a forma de atribuição de complementos remuneratórios e isenção de horário de trabalho. Mantendo, por esta via, a remuneração da Teresa alinhada com a média do mercado para funções equivalentes, durante a primeira metade de sua carreira.

Agora, no ano em que se reforma da banca, com uma carreira longa, a Teresa enfrenta a angústia da sua geração. Os bancários são cidadãos de segunda. Foram apenas integrados, de forma tardia e muito parcial, na Segurança Social a partir de 2011. E por que digo isso?

Porque ao contrário dos seus concidadãos, a Teresa não verá os seus complementos remuneratórios, nem a isenção, que lhe foi atribuída há mais de 25 anos, contar para a sua reforma bancária. Esta será de 40% do seu último salário.

Nem mesmo a integração tardia na Segurança Social, tendo decorrido mais de 15 anos, lhe será de alguma ajuda. Porque nessa altura (daqui a cerca de um ano), a sua entidade patronal, com a conivência da República Portuguesa, vai-se abocanhar com a parte da pensão paga pela Segurança Social para se pagar, inclusive da parte da pensão anterior a 2011, que é da exclusiva responsabilidade do banco.

Idem para os aumentos anuais atribuídos aos pensionistas. A mesma coisa para a bonificação das carreiras longas.

Como não poderia deixar de ser, a Teresa está angustiada. Extremamente angustiada! Percebe agora que o seu nível de reforma não lhe permitirá pagar um lar quando dele necessitar.

A Teresa vai assinar o abaixo-assinado para que a Assembleia da República se reúna em plenário para debater este enriquecimento ilícito feito contra os cidadãos bancários.

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