As relações particularmente difíceis entre a Índia e o Paquistão levam o Irão a continuar a desempenhar um papel relevante para a estratégia da Índia no atinente à Ásia Central, designadamente no que concerne ao estabelecimento de um corredor comercial Norte-Sul e à construção do Porto de Chabahar, o que lhe permitirá chegar à Ásia Central torneando o Paquistão.No que se refere às relações da Índia com o Sudeste Asiático, importa referir o Acordo de Comércio Livre, celebrado em 2009, com a ASEAN, nos termos do qual os direitos aduaneiros passariam a ser eliminados para 80% das mercadorias comercializadas, a partir de 2016.Na ASEAN, os principais parceiros comerciais da Índia são Singapura, Malásia, Vietname e Tailândia, sendo, todavia, certo que a ASEAN apresenta maior relevância relativa para a Índia do que esta última para a ASEAN.Nos últimos anos, Singapura chegou mesmo a ser o maior país investidor na Índia, acima dos EUA, do Reino Unido, do Japão e da Alemanha.Em qualquer caso, importa reconhecer que o grau de exposição económica da Índia à ASEAN se apresenta muito mais limitado do que o da China.E importa, ainda, reconhecer não estarem desenvolvidas infraestruturas de ligação de grande qualidade aos países da ASEAN.Convirá, agora, tecer algumas — ainda que breves — considerações sobre as relações existentes entre a Índia e o Continente Africano, as quais não obedecem — ao contrário do que sucede com a China — a uma estratégia de implementação de novas metodologias de “ajuda ligada” que, apenas, têm como objectivo assegurar uma posição hegemónica em África.Em primeiro lugar, convém ter presente um acordo especial de Duty Free Tariff Preference celebrado, em 2008, estando o mesmo, presentemente, aberto a 34 Less Developed Countries - LDC do Continente Africano.Em segundo lugar, importa referir que, entre 2006 e 2016, cerca de 54 biliões de US dólares foram investidos por empresas indianas em África, sendo, ainda, de realçar que a Índia assegurou uma significativa ajuda ao desenvolvimento a muitos países africanos, através da concessão de crédito em condições favoráveis (i.e., do crédito de ajuda em boas condições de concessionalidade).Sublinhe-se, entretanto, que na 3.ª Cimeira do Fórum Índia-África, realizada em 2025, todos os 54 Estados africanos estiveram representados, incluindo 40 chefes de Estado.A Índia passou a desempenhar um novo papel na Ásia e no Mundo, nos últimos 25 anos, sendo, hoje em dia, considerada um importante mercado potencial, com excelentes oportunidades de investimento.Atingiu, finalmente, o “shortage point à la Ranis e Fei”, com a emergência de um mercado endógeno relevante e com a criação de um sector moderno que integra unidades empresariais competitivas no mercado internacional.É, hoje em dia, um comprador de importância estratégica nos sectores do equipamento de Defesa e de tecnologia avançada, sendo-lhe atribuído um papel relevante na arquitectura geo-estratégica da Ásia, designadamente no que concerne à problemática da segurança.As novas gerações, depois de passarem por universidades, altamente, qualificadas nos EUA e no Reino Unido, criaram as suas próprias empresas de software e de tecnologias da informação, trabalhando em regime de outsourcing para grandes multinacionais e atingindo níveis elevados de rendibilidade.Ao constatarmos que a Índia evoluiu de uma posição de “não-alinhamento” para uma outra de “multi-alinhamento”, tal não significa que ocorreu, necessariamente, uma evolução negativa na política externa indiana.Pelo contrário, até à Administração de Joe Biden, havia um maior distanciamento (embora temperado pela necessidade de se procurar manter um equilíbrio em termos de correlação de forças na Euro-Ásia) em relação à Rússia do que havia em relação à ex-União Soviética e uma aproximação a vários países Ocidentais (e, em particular, à UE).Finalmente, o Acordo UE-Índia, recentemente celebrado, poderá vir a atribuir à Europa um novo papel em diversas regiões do Continente Asiático.Acresce ao que se disse que a Índia é a maior democracia do Mundo, provando ser possível respeitar princípios fundamentais de convivência entre comunidades com passados condicionados por culturas paroquiais e em países populosos e em transição, o que se apresenta louvável.Nem mais, nem menos… Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico