Cidades avançam com planos que as acompanham

Ana Abrunhosa

Presidente da Câmara Municipal de Coimbra

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As cidades vivem hoje um período de transformação acelerada. A pressão sobre a habitação, as novas dinâmicas económicas, o investimento em mobilidade e os desafios da transição climática exigem respostas públicas cada vez mais rápidas, coordenadas e eficazes.

Neste contexto, o Plano Diretor Municipal (PDM) mantém-se como o principal instrumento de organização do território. No entanto, nem sempre consegue acompanhar o ritmo da realidade.

Um PDM atualizado não é apenas uma exigência técnica – é uma condição essencial para um desenvolvimento urbano equilibrado. Garante previsibilidade a cidadãos e investidores, assegura coerência nas decisões públicas e, sobretudo, permite alinhar o território com prioridades estratégicas como mais habitação, emprego qualificado, melhor mobilidade e maior sustentabilidade e resiliência.

O problema surge quando os instrumentos de planeamento deixam de acompanhar esta evolução. Um PDM excessivamente rígido ou desatualizado deixa de orientar e passa a travar o desenvolvimento.

As consequências são evidentes: projetos estruturantes atrasam-se ou não avançam, o investimento desloca-se para territórios mais ágeis e a resposta à crise da habitação fica comprometida. Mais grave ainda, consolidam-se no território soluções desajustadas que perduram por décadas.

Como concluímos recentemente em Coimbra, o maior risco no planeamento urbano não é a flexibilidade, mas sim a inação. A incapacidade de adaptar atempadamente os instrumentos de planeamento tem um custo profundo: perde-se a capacidade de responder às necessidades reais das pessoas e das empresas.

Por isso, é fundamental mobilizar, com inteligência e responsabilidade, todos os instrumentos previstos na lei. A revisão do PDM define o rumo estratégico de longo prazo; as alterações permitem ajustamentos intermédios, mais ágeis e focados; e, em situações de desfasamento evidente e urgente, a suspensão parcial, devidamente enquadrada, pode assumir um papel estratégico de recalibração.

A suspensão é um mecanismo excecional, como a lei prevê, mas que pode e deve ser utilizado de forma responsável para repor o alinhamento entre o planeamento e o território. Trata-se de uma ferramenta transitória que permite responder a mudanças significativas nas dinâmicas urbanas, evitando que decisões estruturantes fiquem bloqueadas por regras desajustadas, sem comprometer os critérios ambientais, técnicos e de interesse público.

Importa, por isso, afirmar com clareza: atualizar um PDM não é desregular. Pelo contrário, é garantir que a regulação permanece relevante, eficaz e alinhada com os objetivos públicos.

Precisamos de um planeamento simultaneamente estável e adaptativo: que assegure regras claras, mas que saiba ajustar-se quando o território muda; que integre diferentes escalas – do bairro à região – e múltiplas dimensões – da economia ao ambiente, da mobilidade à habitação.

Mais do que um documento fechado, o PDM deve ser entendido como parte de um processo contínuo de aprendizagem e adaptação. Só assim será possível construir cidades mais competitivas, inclusivas e sustentáveis.

Num momento decisivo para o futuro das nossas cidades, não podemos permitir que os instrumentos que as devem orientar se tornem fatores de bloqueio. Um planeamento eficaz é, também, um planeamento capaz de se adaptar.

E essa capacidade faz toda a diferença.

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