Governar não é apenas dizer que se quer fazer. É, sobretudo, fazer e fazer no tempo certo. Para alguém que fez campanha pedindo “Deixa o Luís trabalhar”, Montenegro tem um Governo com uma impressionante falta de sentimento de urgência. Isso é muito visível na resposta lenta a catástrofes e na preparação do país a futuros eventos extremos.Dissemo-lo no dia a seguir ao Apagão: é preciso fazer um levantamento nacional de tudo o que correu bem e de tudo o que correu mal para o país estar preparado para eventos extremos futuros. Não foi feito, e com consequências. Como teria sido melhor a resposta ao comboio de tempestades se nove meses antes tivesse sido montada uma rede de geradores, garantindo que não faltaria energia em locais essenciais – como centros de saúde, farmácias, lares e estruturas residenciais, cantinas.Também há mais de um ano que insistimos: é preciso ativar o Cell Broadcast, um sistema que permite enviar SMS a todos os telemóveis que estejam numa zona geográfica específica, garantindo que instruções da Proteção Civil chegam a todas as pessoas nessa zona. O ministro das Infraestruturas assegurou-nos há um ano que o sistema tecnologicamente está pronto, só faltava assinar um protocolo com as operadoras. Um ano depois aparece como medida no documento do PTRR - Portugal + Preparado – mas como medida a fazer, não como coisa já feita. Se há um ano só faltava assinar um protocolo, por que não está já feita?Nos dias a seguir ao comboio de tempestades dissemos que os estragos e impactos eram de tal ordem que uma Estrutura de Missão no terreno não era suficiente. Que Portugal precisaria de uma agência com a escala, os recursos, o orçamento necessários para fazer face à enormidade do que aconteceu e para suportar e alavancar a economia. Passados dois meses, o Governo deu-nos razão e, no fim de abril, anunciou a criação da agência. Passado um mês de um anúncio feito com toda a pompa e circunstância, não há agência, não há indicação de quem a liderará, não há informação de como funcionará. Cada dia que passa é um dia de atraso na resposta que o país deve às populações e às regiões afetadas. E cada dia de atraso tem custos de oportunidade enormes para o país.E estamos a aproximar-nos da época de incêndios, com milhões de árvores derrubadas. Sabendo bem o que é preciso fazer para minimizar os riscos no verão, onde está a urgência na mobilização de meios, no apoio às pessoas e empresas para fazer a limpeza dos muitos hectares de terreno?Esta falta de sentimento de urgência é dramática. E é sintoma de uma falta de cultura de preparação e de responsabilidade que tem consequências muito sérias para o nosso país e para a vida de tantas pessoas. Não é boa para ninguém, nem para o próprio Governo. Mas já nos dizia o António Variações: “Ai tu bem sabes que o trabalho foge | Mesmo de quem diz que quer trabalhar.” É o que acontece com o Luís.