No âmbito das comemorações dos 50 anos de autonomia da Região Autónoma da Madeira, decorreu uma conferência subordinada ao tema saúde, com convidados de excelência.As intervenções foram de elevada qualidade, abordando por um lado os constrangimentos da insularidade e ultraperifericidade e, por outro, a evolução alcançada nestes 50 anos, assim como o papel e contributo da região na saúde.A Madeira, nestes 50 anos, transfigurou-se, dando cartas em diferentes domínios. Foi pioneira em munir os serviços de Saúde de uma panóplia de profissionais, nomeadamente nutricionistas, valorizando e elevando a qualidade da sua prestação à população, tornando-a multidisciplinar, diferenciada e dirigida. Foi visionária na criação da rede de cuidados continuados, assim como na implementação da Rede de Bufetes Saudáveis, que se iniciou na Saúde, mas se concretizou de forma mais abrangente na Educação, chegando a inúmeras escolas da região.Isto só para dar alguns exemplos de projetos inovadores e de qualidade, que deram projeção e serviram de exemplo além-mar.Mas, e perdoe-se a frase feita, as necessidades de hoje serão as do amanhã? Presentemente, temos resposta condizente com as necessidades da população?Eu gostaria dizer que sim, mas ainda muito está por fazer.O sistema de Saúde não é suposto dar lucro, mas obviamente deve ser sustentável.Todos os cidadãos têm direito à Saúde.E têm?E quando têm, é em tempo útil?O direito à saúde continua a não ser visto na ótica certa.É um direito e uma obrigação do Estado.Os serviços de Saúde não darão uma resposta eficaz se não estiverem dotados dos recursos físicos e humanos na dimensão das solicitações.Quando não dão as respostas nos timings certos, os indivíduos recorrem ao privado. Nada tem de mal, é uma alternativa. Mas, e os que não têm esta opção? O que fazem? Esperam que o sistema funcione. Não é o desejável para um acesso equitativo e de qualidade!Cria desequilíbrio e iniquidade no acesso aos cuidados de Saúde dos mais desfavorecidos.Existe outro aspeto fulcral na Saúde que continua a ser descurado e desvalorizado: a prevenção.Enquanto não tivermos capacidade para perceber que as melhorias dos indicadores de saúde começam na prevenção não estaremos a cumprir o desígnio.Se continuarmos a atuar só na doença , a ser reativos e não proativos, o peso desta continuará a crescer.Não é lógico investir na prevenção, na promoção e qualidade da saúde?Ou faz mais sentido gastar milhões no tratamento agudo ou crónico e persistir na perda de anos de qualidade de vida?Decisões precisam-se!A população vive mais, mas com mais doença. Não sou eu quem o diz, é a evidência científica.O estilo de vida, alimentação inadequada e sedentarismo estão no cerne da questão. É preciso dar literacia e ferramentas à população para combater este cenário.A prevenção não vende, apesar dos recursos necessários serem menos dispendiosos e promoverem uma comunidade mais saudável.O que falta fazer para mudar este paradigma?