As futuras rainhas também usam farda

Helena Tecedeiro

Editora-executiva do Diário de Notícias

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Esta semana a Casa Real espanhola divulgou imagens da princesa Leonor aos comandos de um caça F-5, na Base Aérea de Talavera la Real, em Badajoz . Numa das fotografias, a herdeira do trono surgia ao melhor estilo Top Gun, de fato de voo e capacete na mão a caminhar para o avião militar, numa outra já estava dentro do aparelho com a máscara posta e na última surgia no ar em plena manobra. A filha mais velha do rei Felipe VI realizou assim o seu primeiro voo enquanto piloto, agora que entra na reta final dos seus três anos de formação militar. A princesa frequenta atualmente a Academia Geral do Ar e do Espaço, mas para o ano irá iniciar os estudos em Ciência Política na Universidade Carlos III de Getafe, em Madrid. Além da académica, a formação militar faz parte da preparação da sua preparação como futura chefe do Estado.

Mas Leonor não é a única princesa europeia que se tem estado a preparar militarmente. Também Catarina-Amália, a princesa herdeira dos Países Baixos, conciliou os estudos universitários com um programa militar de dois anos no Colégio Nacional de Defesa, que concluiu no início do ano, tendo sido promovida a cabo. No caso da filha mais velha do rei Guilherme Alexandre, o exemplo veio de cima ou não se tivesse a rainha Maxima, de 54 anos, alistado já este ano para receber treino militar. “Já não podemos assumir a nossa segurança como um dado adquirido”, garantiu a rainha dos Países Baixos, onde o limite de idade para os reservistas é de 55 anos.

Quem também realiza treinos regulares é a princesa Vitória da Suécia, A herdeira do trono, de 48 anos, terminou a formação militar em 2003, mas é vista frequentemente de espingarda na mão em treinos anuais que a preparam para o seu papel como comandante geral das Forças Armadas quando suceder ao pai, o rei Carl XV Gustav.

Também a princesa Elisabete da Bélgica, de 25 anos, foi notícia em 2023 por estar a receber formação militar, tendo sido fotografada com uma espingarda de assalto para operações especiais na Academia Militar Real. Ao mesmo tempo, a filha de Filipe, Rei dos Belgas, terminou os estudos em Oxford, tendo depois sido aceite para um mestrado em Harvard.

Leonor, Catarina-Amália, Vitória e Elisabete serão as rainhas do futuro, num sinal de que existe uma preocupação das monarquias em acompanhar os tempos, com várias casas reais europeias a terem deixado cair a lei sálica, que restringia o direito ao trono aos herdeiros masculinos. Espanha é a exceção, mas como Leonor só tem uma irmã, será ela a sucessora de Felipe VI.

Entre tradição e modernidade, todas estas herdeiras parecem empenhadas em mostrar que as rainhas tanto podem vestir de Prada como usar camuflado, mas estão tão preparadas como os homens para subir ao trono.

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