Hoje e amanhã, quando o sol se puser, alguns milhares poderão testemunhar o regresso de uma das bandas mais importantes da nossa história. Será em Lisboa, mas no final da próxima semana estarão no Porto para mais dois espetáculos.Os mais novos talvez não imaginem do que estamos a falar, certamente que lhes é difícil entender que existia mundo antes deles, que existia música antes da música que ouvem, que os seus pais ou avós tenham sido jovens como eles.É-lhes difícil, quase impossível, saberem o que Trovante representou na cultura portuguesa, na construção da democracia, na capacidade de a música ser a prova de que qualquer coisa estava a acontecer de novo em Portugal.. Lá estarei para os ouvir. Eles ameaçam viver tudo numa noite. Ou em quatro. Mas eu não quero que tal aconteça, quero viver hoje e amanhã e depois. E quero fazê-lo com algumas daquelas canções que nunca deixaram de tocar em mim, que me ajudaram a ser o que sou, que me fizeram chorar, desejar, amar, dançar, pensar, ser futuro e respeitar o passado.Trovante é a banda da minha vida. É memória de manhãs, tardes, noites e madrugadas.Sei as músicas de cor, apaixonei-me por quem as cantou comigo, adormeci todos os meus filhos com aquelas canções, lamentei as mortes e as perdas a ouvir a guitarra do João, a voz do Luís e o piano do Manuel.Hoje e amanhã, quando escurecer, serei testemunha de uma missa. Irei com o meu pai. Regressará aos vivos para estar comigo e com eles, seus amigos de sempre, nos bons e maus momentos, na força e na desgraça.