Não há volta a dar: a nomeação do ministro da Administração Interna foi a melhor decisão de Luís Montenegro. Uma decisão em que correu riscos, mas nada se faz de substancial sem ousadia e coragem, o que não tem sido prática nos governos dos últimos anos, mais preocupados com a manutenção do poder do que com a divisão de águas.A escolha de Luís Neves, contrariando no perfil a lógica das perceções, revelou também, pelo contraste, a diferença entre o ministro e uma parte importante do Executivo. Quando o ouvimos sabemos que existirão consequências, que a teoria está ligada à prática, que nada nele é produzido para parecer ser o que não é.. O anúncio de que, nos últimos dois meses, expulsou 11 agentes da PSP e nove da GNR por condutas “desviantes”, foi exemplar. Como também o foi o aviso firme de que não tolerará agressões a polícias e militares – nesses casos, a resposta será forte e musculada.Tudo certo, tudo inequívoco, nada a apontar. É tão terrível a amoralidade de polícias como a dificuldade de exercer a autoridade por falta de respaldo superior. A credibilidade de alguém, como o carisma, não se explica de uma forma simples. Pode trabalhar-se, mas ou se tem ou dificilmente se terá.."A escolha de Luís Neves, contrariando no perfil a lógica das perceções, revelou também, pelo contraste, a diferença entre o ministro e uma parte importante do Executivo. Quando o ouvimos sabemos que existirão consequências, que a teoria está ligada à prática (...).".Luís Neves fala e é ouvido. Na Polícia Judiciária fez uma carreira em que somou distinções e vitórias expressivas. Entre os seus soube-se sempre duas coisas: é implacável na concretização dos objetivos e humanista na relação com as suas pessoas e o mundo. Verdadeiramente o que precisamos. De força e coração.