A crise silenciosa da Educação

Carlos Ferro

Editor-executivo do Diário de Notícias

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A semana que antecede o início do ano escolar para a grande maioria dos alunos foi recheada de más notícias para o setor. Logo na segunda-feira um trabalho baseado na Pordata – a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos – mostrava um país a duas velocidades na Educação. Segundo essa análise os alunos do Secundário da Região Norte conseguiram cumprir os três anos desse ciclo no tempo previsto, enquanto na Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve isso não aconteceu.

Razões para tal não são adiantadas, mas parece-me que uma das explicações pode passar pelo calvário que têm sido os anos escolares nesta parte do país com as constantes faltas de professores que deixam, por vezes meses consecutivos, estudantes sem aulas a disciplinas fulcrais para o seu percurso académico.

Ora com má preparação, mesmo que se consiga passar de ano uma vez, chega a uma altura em que a falta de conhecimentos vai fazer com que seja impossível a transição de ano. Por muita boa vontade que um professor possa ter...

E é nesta questão das bases que chegamos à segunda má notícia da semana: os dados do relatório PISA (em inglês Programme for International Student Assessment) referentes aos testes feitos no ano passado aos alunos do 9.º ano mostraram resultados que remetem para 2006. Ou seja, péssimos resultados em Matemática, Ciências e Literacia de Leituras. Aliás, na senda do que vinha acontece nos relatórios anteriores.

Portugal ficou na média da OCDE. Para alguns analistas isso pode ser motivo de satisfação. Para mim, não. Na minha opinião uma conclusão como os alunos de 15 anos terem dificuldades em compreender, interpretar e avaliar textos longos ou complexos, só pode ser levada muito a sério e tentar perceber rapidamente como se pode começar a inverter esta situação.

Talvez seja útil analisar as mudanças introduzidas nas políticas educativas após 2015 para perceber se alguma delas poderá ter contribuído para esta tendência.

E o uso de Inteligência Artificial ou do consumo predominante de conteúdos curtos por parte destes jovens não pode ser a desculpa. Pode ser o mais fácil, mas também seria bom lembrar os tempos em que, nas escolas, havia avaliações mais frequentes e rigorosas. E a aposta nas aprendizagens essenciais pode necessitar de um melhor enquadramento.

Esperemos que ainda se vá a tempo para que no próximo relatório seja possível começar a inverter esta imagem.

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