Domingo (20h00, DAZN 1), o mundo parará para ver o jogo de futebol mais aguardado. O embate entre Barcelona e Real Madrid tem sido, desde a rivalidade Messi-Cristiano Ronaldo, que dividiram entre si seis Bolas de Ouro enquanto partilharam campeonato, o jogo de clubes com maior audiência fora finais de Liga dos Campeões. É um teste ao crescimento do Real Madrid de José Mourinho e à hegemonia interna do Barcelona. A máquina trituradora de Hansi Flick, apoiada nos 12 golos do avançado móvel Raphinha, e no improviso talentoso de Yamal, com oito tentos na La Liga, segue com vitórias em todos os jogos disputados e 39 golos em nove partidas. O Real tem menos 16 marcados e está abaixo seis pontos na tabela, o que atribui peso à deslocação a Barcelona. Até porque as derrotas contra Atl. Madrid e Bétis, ambos em lugar de acesso à Liga dos Campeões, expuseram as dificuldades em ter a reação certa à perda da bola e de apresentar uma organização defensiva compacta, imune a equipas que assumam, de forma criativa, o jogo. Ora, olhando para este Barcelona, haverá uma pressuposição de que os catalães não abrandam ao primeiro golo e que, se puderem deixar prostrado o principal rival, tudo farão para pisar no acelerador e deixar a ferida aberta nos merengues. Ferida essa, que a nove pontos de distância, pode não ser sarada. Os catalães são favoritos.
É aqui que pode jogar a experiência de José Mourinho e números até positivos em embates diretos. O português ganhou oito dos 27 encontros e empatou mais nove (perdeu dez), o que revela o embaraço que os catalães têm sentido para mandar abaixo o técnico setubalense. Pelo Chelsea empatou duas vezes no Camp Nou, uma delas saindo de prova depois em casa, mas foi aquela meia-final de Liga dos Campeões, na qual o Inter, reduzido a dez, passou no Camp Nou rumo ao título europeu, depois de bater o Bayern, que fez mediatizar uma imagem de festa, de punho no ar, de Mourinho. Esse momento, em 2010, o Barcelona fez questão de não apagar, já que no ano seguinte, motivado para derrotar Mourinho, atropelou, com um arraso de futebol, o Real por 5-0. Desde aí, o técnico português só perdeu dois dos sete encontros fora, ambos para a Supertaça de Espanha, um deles logrando vencer pelo resultado obtido em casa. Em 2012, Mourinho sairia, a três jornadas do fim, com sete pontos de avanço após bater o Barcelona no Camp Nou e rumaria à conquista do campeonato espanhol. Durante a sua estadia em Madrid, foi até mais difícil vencer em casa do que no campo do rival.
Treze anos depois do último embate, Mourinho chega com uma sequência recorde na carreira de cinco jogos sem perder contra os catalães, o que poucos treinadores registam no pecúlio, e com o lastro de ter arredado o Barcelona numa Taça do Rei e na final de uma Supertaça. Depende de ampliar a sequência sem perder a crença de poder vir a ser campeão em Espanha. Curiosamente, o Barcelona procura o 30.º campeonato da história e fazendo-o Hansi Flick chegará ao tri. Desde Pep Guardiola (2009 a 2011) que ninguém o atinge na prova espanhola. Mourinho quebrou a hegemonia ao catalão em 2012.