Premium Se os meninos da Guiné não vêm a Portugal, vai um cardiologista à Guiné ouvir-lhes o coração

A ONG Missão Saúde para a Humanidade viajou até à Guiné-Bissau com um cardiologista do Centro Hospitalar de São João. Numa semana, observaram 30 crianças que foram operadas em Portugal na última década e 20 que se encontram sinalizadas para serem tratadas.

Edinilson tem 12 anos, mas não pode correr, saltar à corda ou dar cambalhotas como as crianças da sua idade. Sofre de tetralogia de Fallot - uma cardiopatia congénita cianótica -, que se traduz por saturações de oxigénio muito baixas, o que faz que se canse muito facilmente. A doença cardíaca não permite que Edinilson se esforce. O menino guineense, que está há vários anos à espera de ser levado para Portugal para ser submetido a tratamento cirúrgico, foi uma das 50 crianças observadas pelo cardiologista pediátrico Jorge Moreira, do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), que esteve na Guiné-Bissau, em maio, com os voluntários da Missão Saúde para Humanidade (MSH), uma organização não governamental que há dez anos promove o acolhimento em Portugal de doentes com necessidade de tratamentos médicos ou cirúrgicos.

"O menino quase não se consegue mexer. É um caso prioritário. Podia beneficiar muito de tratamento cirúrgico", explica ao DN o especialista em cardiologia pediátrica. Edinilson foi uma das crianças avaliadas pelo médico, que pediu que este fosse levado "com urgência". Esse processo terá de ser promovido pelas autoridades de saúde guineenses, em colaboração com a MSH, mas Jorge Moreira acredita que a consulta feita na Guiné-Bissau deverá ajudar a acelerar o seu transporte.

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