Putin anuncia que a Rússia registou a primeira vacina contra a covid-19

O presidente russo disse que uma das suas filhas já tomou a nova vacina. Apesar de registada e de entrar já em produção, a vacina irá continuar em testes e a previsão é que chegue ao mercado em janeiro.

A Rússia desenvolveu a "primeira" vacina contra o novo coronavírus, que é segura e provoca uma "imunidade duradoura", declarou nesta terça-feira o presidente Vladimir Putin durante uma videoconferência com membros do governo exibida pela televisão.

"Esta manhã, pela primeira vez no mundo, foi registada uma vacina contra o novo coronavírus", disse Putin, citado pela AFP.

O registo da vacina é condicional e os testes irão continuar enquanto a produção estiver em andamento, esclareceu o ministro da Saúde, Mikhail Murashko.

Para o presidente russo, este é um passo decisivo. "Sei que a vacina age de forma bastante eficaz, gerando uma imunidade estável e, volto a dizer, passou em todos os testes necessários", afirmou Putin.

O governante agradeceu a todos os que trabalharam na vacina contra a covid-19, descrevendo-a como "um passo muito importante para o mundo".

Para transmitir maior confiança, Putin revelou que uma das suas filhas já experimentou a vacina. "Uma das minhas filhas foi vacinada, participou dos testes. Após a primeira vacinação, ficou com 38 graus de temperatura, no dia seguinte tinha 37 graus e pouco", afirmou Putin.

De acordo com o ministro da Saúde, Mikhail Murashko, a primeira vacina russa contra a covid continuará a passar por testes clínicos com a participação de milhares de pessoas.

"Os documentos estão a ser preparados para a continuação dos testes clínicos com a participação de alguns milhares de pessoas. Para acompanhamento operacional da saúde dos vacinados e controlo da eficácia e segurança, o Ministério da Saúde da Rússia está a criar um circuito digital que vai permitir monitorizar a segurança e a qualidade da vacina em todas as fases", afirmou o ministro.

A vacina russa começará a ser distribuída para uso civil em 1 de janeiro de 2021, indicam os dados do registo estatal de medicamentos do Ministério da Saúde da Rússia.

A Rússia tem estado empenhada em desenvolver rapidamente uma vacina contra o coronavírus e disse no início deste mês que espera lançar a produção em massa dentro de semanas e produzir "vários milhões" de doses por mês no próximo ano.

Muitos cientistas no país e no estrangeiro questionam a decisão de registar a vacina antes de os cientistas completarem a chamada Fase 3 do estudo. Essa fase, por norma, demora vários meses e envolve milhares de pessoas, sendo a única forma de se provar que a vacina experimental é segura e funciona.

A Organização Mundial da Saúde instou na semana passada a Rússia a seguir as diretrizes estabelecidas e passar "por todos as etapas" necessárias para desenvolver uma vacina segura.

Presidente das Filipinas é voluntário

A vacina parece já ter um governante disposto a tomá-la. Ainda antes do anúncio de Putin, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, aceitou a oferta da Rússia da sua vacina contra o novo coronavírus, e disponibiliza-se para receber a primeira injeção como um gesto de confiança e gratidão.

"Quando a vacina chegar, vou injetar-me em público. Experimentem em mim primeiro", disse Duterte numa conferência de imprensa na noite de segunda-feira.

Duterte - que classificou o presidente Vladimir Putin como o seu "ídolo" e está a procurar estreitar os laços com a Rússia - acrescentou que Manila pode ajudar Moscovo em testes clínicos e produção local.

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