Vítimas mortais do coronavírus sobem para 54. Presidente Xi Jinping diz que a situação "é grave"

Último balanço divulgado na noite deste sábado sobe número de mortos para 54 e para mais 323 novos casos confirmados com coronavírus, passando para 1610 o total de situações com a nova pneumonia. O presidente chinês Xi Jinping admite gravidade da situação. Já há 17 cidades isoladas e dois novos hospitais em construção.

A epidemia de pneumonia causada pelo novo coronavírus está a agravar-se na China. O presidente Xi Jinping, confirmou este sábado que a propagação da doença acelerou e que a situação "é grave". A China corre contra o tempo para ainda tentar conter uma epidemia em larga escala, aplicando medidas sem precedentes no país.

Pelo menos 17 cidades estão agora isoladas na China, colocando mais de 50 milhões de pessoas de quarentena. Os transportes para dentro e para fora dessas cidades estão bloqueados: ninguém sai, nem entra. E há neste momento dois hospitais em construção, destinados exclusivamente ao tratamento destes doentes, que já ascendem no país a mais de 1300, dos quais 41 morreram.

"Face à situação grave de uma epidemia que se acelera [...] é necessário reforçar a direção centralizada e unificada do comité central do partido", disse Xi Jinping, que presidiu este sábado a uma reunião do politburo (o órgão de sete membros que dirige o país) sobre o problema do novo coronavírus. "A China pode vencer a batalha", assegurou o presidente.

Uma das 54 vítimas mortais da nova pneumonia é um médico de 62 anos que tratou doentes infetados e que faleceu este sábado, confirmaram as autoridades de saúde.

Dois hospitais em construção

A China tinha anunciado na quinta-feira passada a construção de um novo hospital em Wuhan, destinado em exclusivo ao tratamento dos casos da nova pneumonia, com abertura prevista para 3 de fevereiro, mas afinal não se ficará por aqui.

Dada a situação de emergência de saúde, e prevendo provavelmente que o número de infetados vai aumentar muito nas próximas semanas, as autoridades anunciaram que já estão a construir um segundo hospital para o mesmo fim, que estará operacional dentro de suas semanas.

As 17 cidades isoladas, entre as quais Wuhan, onde tudo começou há cerca de um mês, situam-se na província de Hubei, mas são mais de 20 as províncias do país onde já há casos reportados, havendo a possibilidade de a quarentena ser declarada noutras cidades. Em Macau, onde a palavra de ordem é para usar máscaras, há dois casos confirmados.

A presença de cidadãos portugueses retidos em Wuhan está, entretanto, a ser acompanhada pelas autoridades portuguesas que admitem a possibilidade de os retirar da cidade.

"Estamos em contacto com os cidadãos e a cooperar com outros países europeus para procurar reforçar o apoio aos compatriotas portugueses retidos" em Wuhan, disse este sábado à Lusa fonte do gabinete da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes. Um dos cenários, adiantou a mesma fonte, é o de retirar os portugueses daquela cidade, "se isso for viável à luz das regras de saúde pública".

Em Portugal, a Direção-geral de saúde acionou esta semana, na quarta-feira, os protocolos estabelecidos para este tipo de situações, reforçando no Serviço Nacional de Saúde a linha Saúde 24, através do número 800242424, e a linha de apoio médico, para triagem, a fim de evitar que em caso de eventual contágio as pessoas não encham os centros de saúde e as urgências, estando em alerta o Hospital de São João, no Porto, o Curry Cabral e Estefânia, em Lisboa.

A diretora-geral de saúde, Graça Freitas, confirmou na sexta-feira a avaliação de três casos suspeitos de viajantes procedentes da China, que não foram validados.

Um novo vírus de origem ainda desconhecida

Fora da China, 14 países registaram já casos da nova pneumonia. Vários na Ásia, entre os quais o Vietname, Tailândia, Malásia, Taiwan e Nepal, mas também naAustrália, Estados Unidos e França. A confirmação dos primeiros dois casos em França, esta sexta-feira, ocorreu apenas dois dias depois de o Centro Europeu de Controlo de Doenças ter considerado "moderada" a probabilidade de o novo vírus chegar à Europa.

Na última quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde considerou que a situação era de energência na China, mas decidiu não declarar ainda o novo surto como uma emergência de saúde global, mantendo no entanto a prontidão para reunir a qualquer momento e tomar novas decisões.

A pneumonia viral que emergiu em Wuhan no final do ano passado é provocada por um novo coronavírus, anteriormente desconhecido da ciência, que os cientistas batizaram como 2019-nCoV, e que é aparentado daquele que em 2002 e 2003 causou uma epidemia global de um síndrome respiratório agudo (SARS, na sigla em inglês) com um saldo global de 774 vítimas mortais, em mais de oito mil casos.

A origem do novo coronavírus, designado 2019-nCoV, é ainda desconhecida. Sabe-se que o surto emergiu em Wuhan, a partir de um mercado de venda de peixe fresco e marisco e outros animais vivos, incluindo espécies selvagens, como morcegos e cobras.

O mais provável é que a fonte original do agente patogénico seja uma das espécies de selvagens, à semelhança do que ocorreu na epidemia de SARS, em que o reservatório do respetivo coronavírus, como depois se verificou, eram as civetas, um tipo de gato selvagem.

Neste novo surto, os resultados preliminares dos estudos em curso apontam o dedo aos morcegos, mas não excluem que na passagem da barreira de espécies para os seres humanos haja outro animal intermediário. Não se sabe é qual.

Passando a infetar os seres humanos, o vírus tem potencial para sofrer novas mutações no processo de contágio, tornando-se potencialmente mais virulento e perigoso. É possível que seja isso que está a acontecer. O longo período de incubação da pneumonia, que parece ser de pelo menos 14 dias, também terá contribuído para que muitos dos novos casos tivessem passado despercebidos durante demasiado tempo, favorecendo assim o contágio silencioso.

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