Portugal rastreou três casos suspeitos. Nova pneumonia não se confirmou

A diretora-geral de saúde, Graça Freitas, confirmou que os três casos suspeitos, e não validados, eram de viajantes procedentes da China

Graça Freitas confirmou que os casos ocorreram nas últimas 24 horas e diziam respeito a três pessoas que viajaram da China e que apresentavam sinais compatíveis com a nova pneumonia. Todos se revelaram, no entanto, alarmes falsos,

"Tivemos três casos possíveis, um deles esta noite e os outros ontem, de pessoas que tinham a preocupação, perante sintomas, e vindas da China. Esses casos não foram validados, não passaram pelo crivo médico e seguiram a sua vida normal", afirmou a diretora-geral de saúde, citada pela Rádio Renascença.

A responsável sublinhou na ocasião, à margem das Jornadas de Atualização em Doenças Infecciosas, do Hospital de Curry Cabral. que os serviços de saúde no país "estão organizados para poder dar resposta à solicitação da Organização Mundial de Saúde, que é conter um possível caso que entre em Portugal, evitando a propagação para outros países".

Sobre as medidas a aplicar nos aeroportos, designadamente o rastreio de passageiros, Graça Freitas disse que essa medida, para já, não é aconselhada pela Organização mundial da Saúde e que é "uma tarefa do país de origem da doença (China), que tem de rastrear todos os passageiros que possam estar doentes na altura do embarque".

"Depois, há um protocolo com os aviões e com os navios que faz com que um tripulante que detete um doente a bordo comunique ao comandante, que comunica com terra... o rastreio à entrada é só por um período muito curto e, como medida de saúde publica, não é a principal medida que nós podemos ter", disse.

"Não quer dizer que não a tomemos no futuro [a medida do rastreio de passageiros nos aeroportos], mas, para já, o que vamos fazer, com o Alto Comissariado para as Migrações, é afixar cartazes para que os passageiros, logo no aeroporto, tenham conhecimento de que, se tiverem sintomas e se vierem de uma área afetada, a menos que a sua situação clínica seja muito grave, têm como conselho principal ligar para o SNS24 (808 24 24 24)", explicou.

Graça Freitas sublinhou ainda que a capacidade das autoridades de saúde portuguesas para tratar casos "é boa, das melhores do mundo" e que é preciso "aguardar com tranquilidade a evolução do surto".

"Se o risco escalar teremos de escalar as medidas, mas isso é noutra etapa e nessa altura falaremos", acrescentou.

Portugal ativou na última quarta-feira os protocolos estabelecidos para este tipo de situações, reforçando no Serviço Nacional de Saúde a linha Saúde 24, através do número 800242424, e a linha de apoio médico, para triagem, a fim de evitar que em caso de eventual contágio as pessoas não encham os centros de saúde e as urgências, estando em alerta o Hospital de São João, no Porto, o Curry Cabral e Estefânia, em Lisboa.

A Direção-geral de Saúde recomenda ainda às pessoas que viajem para as regiões afetadas da China para que "evitem contactos próximos com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas", que "lavem as mãos com frequência" e que, no caso de apresentarem sintomas de infeção respiratória, procurem atendimento clínico e reportem ao médico a viagem realizada.

China tenta travar progressão da doença

Numa corrida contra o tempo para tentar travar a rápida progressão da doença no país, a China fechou pelo menos 13 cidades, com um total de 41 milhões de habitantes, e está a construir um novo hospital nos subúrbios de Wuhan, o foco inicial da doença, há cerca de um mês, para tratar em exclusivo estes doentes. A abertura do novo hospital está prevista para 3 de fevereiro.

Nesta altura, o número de casos confirmados ascende a mais de 800, mas há mais 1072 pessoas em observação por suspeita da doença, o que faz prever um aumento exponencial de doentes confirmados durante os próximos dias.

As vítimas mortais são para já 26, todas na China, mas duas delas ocorreram em regiões que distam milhares de quilómetros do foco original da doença: a cidade de Wuhan.

A origem do novo coronavírus, designado 2019-nCoV, é ainda desconhecida. Sabe-se que o surto emergiu em Wuhan, a partir de um mercado de venda de peixe fresco e marisco e outros animais vivos, incluindo espécies selvagens, como morcegos e cobras, que serão provavelmente, a origem do vírus.

Os resultados preliminares dos estudos que estão a ser feitos, apontam o dedo aos morcegos, mas não excluem que na passagem da barreira de espécies para os seres humanos haja outro animal intermediário. Não se sabe é qual.

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