Príncipe André outra vez sob pressão após detençao de Ghislaine Maxwell

O príncipe era amigo de Ghislaine Maxwell e de Jeffrey Epstein e é acusado por uma das raparigas de estar envolvido no tráfico sexual de menores. Mas ele sempre recusou todas as acusações.

"As nossas portas continuam abertas. Gostaríamos que o príncipe André viesse falar connosco, gostávamos de contar com as suas declarações", disse Audrey Strauss, procuradora do estado de Nova Iorque, na quinta-feira (2 de julho), na conferência de imprensa sobre a detenção de Ghislaine Maxwell, antiga namorada de Brian Epstein, acusada de tráfico sexual e outros crimes.

As declarações de Strauss foram proferidas após a prisão de Maxwell, a socialite britânica e amiga íntima de Jeffrey Epstein, que se terá suicidado na sua cela na prisão em agosto passado, quando enfrentava acusações de tráfico sexual de menores. Uma dessas raparigas, Virginia Giuffre, alega que foi forçada a ter relações sexuais com o príncipe André, na casa de Maxwell, em Londres, quando tinha 17 anos.

O príncipe nunca escondeu a sua amizade de longa data com Maxwell, nem que ela o apresentou a Epstein, mas sempre negou o seu envolvimento com raparigas menores e - apesar de uma fotografia dele com Virgina e Ghislaine - diz que não se recorda de ter conhecido essa rapariga, recusando categoricamente todas as acusações.

Ghislaine Maxwell recrutava as raparigas para Epstein

Ghislaine Maxwell foi detida num refúgio de luxo numa pequena cidade de New Hampshire, às 8.30 da manhã de quinta-feira. Os investigadores acusaram Maxwell de se esconder e fugir à polícia. Segundo alguns testemunhos, ela terá mentido várias vezes sobre o seu envolvimento direto e indireto no abuso de raparigas menores de idade, porque, alegaram, a verdade era "quase indizível". "Maxwell desempenhou um papel essencial ao ajudar Epstein a identificar, fazer amizade e preparar vítimas menores para o abuso", disse a promotora federal Audrey Strauss na conferência de imprensa em Manhattan. "Ela montava a armadilha. Fingia ser uma mulher em quem [as vítimas] podiam confiar. Em alguns casos, Maxwell participou também no abuso."

Maxwell tem sido acusado por muitas mulheres de recrutá-las para fazer massagens a Epstein, durante as quais elas eram pressionadas a ter relações sexuais. No entanto, até agora ela nunca tinha sido acusada criminalmente.

Depois de terminar a sua relação com Brian Epstein, Ghislaine Maxwell mantinha um estilo de vida discreto, e a sua localização era desconhecida desde a prisão de Epstein em julho passado. Na conferência de imprensa em Nova Iorque William Sweeney, do FBI, disse: "Temos mantido discretamente o controlo do paradeiro de Maxwell. Avançámos quando estávamos prontos."

De acordo com o The Guardian, a acusação de 17 páginas imputa a Maxwell uma série de crimes, incluindo conspiração para atrair menores a viajar para se envolver em atos sexuais ilegais, sedução de uma menor para viajar para se envolver em atos sexuais ilegais, conspiração para transportar menores com intenção de se envolver em atividade sexual criminosa, transporte de menor com intenção de se envolver em atividade sexual criminosa e perjúrio.

A acusação descreveu o relacionamento de Maxwell com Epstein como "pessoal e profissional" - afirmando que ela teve "um relacionamento íntimo" com ele entre 1994 e 1997 e que Epstein pagou a Maxwell "para gerir as suas várias propriedades".

A documentação do tribunal dá pormenores de como Maxwell supostamente atraiu menores de idade para a órbita de Epstein. Ela "fez amizade" com algumas das vítimas, "inclusivamente perguntando às vítimas sobre as suas vidas, as escolas e as famílias". Ela e Epstein fingiam uma amizade com as raparigas, levando-as às compras e ao cinema. Os abusos terão acontecido na mansão de Epstein, no Upper East Side de Manhattan, na sua propriedade em Palm Beach, Flórida, e no seu rancho em Sante Fe, Novo México, bem como na residência de Maxwell em Londres.

Ghislain Maxwell tentaria depois fazer com que tudo parecesse normal naquela amizade: ela "tentaria depois normalizar o abuso sexual de uma vítima menor discutindo, entre outras coisas, assuntos sexuais, despindo-se na frente da vítima, estando presente quando uma vítima menor fosse despida e / ou estando presente durante os atos sexuais envolvendo a vítima menor e Epstein", lê-se nos documentos.

A acusação alega que Maxwell às vezes fazia massagens a Jeffrey Epstein em frente das vítimas, enquanto outras vezes lhes pedia que fossem elas a fazer as massagens, "incluindo massagem sexual durante a qual uma vítima menor estaria totalmente ou parcialmente nua". Em algumas ocasiões, é alegado que Maxwell estava "presente e participou do abuso".

Para ocultar seu envolvimento com os abusos de Epstein, Maxwell deu informações falsas "sob juramento" em processos civis, afirma a acusação.

E se ela falar?

Virginia Giuffre, uma das alegadas vítimas de Jeffrey Epstein, disse num processo civil que Maxwell a recrutou para o círculo de Epstein, onde ela alega que Epstein a forçou a ter relações sexuais com ele e com os seus amigos, incluindo o príncipe André - que negou constantemente as alegações.

Maxwell disse que as alegações de Giuffre são falsas. Giuffre em resposta entrou com um processo de difamação contra Maxwell em 2015.

No entanto, o caso de Virginia Giuffre não faz parte do caso contra Ghislaine Maxwell pelo que, em princípio, para já o príncipe não terá com que se preocupar. A não ser que Maxwell decida falar abertamente sobre tudo e aí todos os os amigos do casal poderão ver-se envolvidos. "E se ela falar?", pergunta a Forbes. Essa é a pergunta que todos devem estar a fazer neste momento.

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