Presidente de Madrid pede a Sánchez que Exército garanta restrições

Presidente da Comunidade de Madrid vai pedir ao governo que o Exército garanta as restrições e que as autoridades de saúde das Forças Armadas examinem a população

A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, vai pedir ao primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez que o Exército garanta o cumprimento das restrições em Madrid e que os profissionais de saúde das Forças Armadas realizem testes à covid-19 a quase um milhão de habitantes na capital espanhola.

O Governo de Madrid encontrou dois grandes problemas para conter a propagação do vírus nas últimas semanas: a dificuldade de os infetados e os seus contactos cumpram as quarentenas - quase 1500 pessoas as ignoraram nos últimos dias - e a impossibilidade de reforço de cuidados primários pela falta de médicos e enfermeiros.

O pedido de Díaz Ayuso a Sánchez na reunião desta segunda-feira tem o intuito de atenuar essas duas deficiências, como explicaram fontes do governo regional ao El Mundo. Não é a primeira vez nesta crise sanitária que a governante exige mais envolvimento das Forças Armadas.

Ainda assim, nas últimas horas o governo regional aparenta preferir que o Exército limite a sua ação à desinfeção de locais públicos, como as zonas próximas de centros de saúde ou pontos de passagem de transportes, e que os médicos das Forças Armadas ajudem nos cuidados primários, deixando que Proteção Civil, Guarda Civil, Polícia Nacional e Polícia local se ocupem da vigilância para que as restrições sejam cumpridas nas ruas.

Fontes do governo espanhol confirmam ao El Mundo a sua disposição para que o Exército dê uma mãozinha nas áreas da capital mais atingidas pelo coronavírus. Nesse sentido, asseguram que Sánchez oferecerá à presidente regional todos os meios de que necessita para implementar as medidas restritivas que esta segunda-feira entram em vigor e referem, a título de exemplo, a colaboração da polícia e também das Forças Armadas.

De facto, o pedido de Madrid já está a ser analisado pelo governo central, visto que os chefes de gabinete dos dois presidentes, Iván Redondo e Miguel Ángel Rodríguez, respetivamente, estiveram em contacto permanente ao longo do fim de semana.

A intenção, asseguram da parte do governo central é que o encontro seja "frutífero" e assinalam que Pedro Sánchez comparecerá ao encontro com Díaz Ayuso "com a melhor disposição". É a mesma atitude com que a presidente de Madrid receberá Sánchez na sede da Comunidade, embora o encontro presencial aconteça depois de Ayuso o ter solicitado seis vezes nos últimos meses.

Até agora, o presidente sempre considerou suficientes as videoconferências aos domingos com todos os líderes regionais, embora a fraca evolução epidemiológica em Madrid o tenha feito reconsiderar a sua atitude na sexta-feira. No Governo afirmam estar "conscientes das especificidades" apresentadas por uma comunidade como Madrid, o centro da Península Ibérica e um grande intercâmbio de comunicações com um fluxo incessante de pessoas vindas não só de todas as partes de Espanha mas também do estrangeiro. E, nesse sentido, explicam que o presidente dá total apoio às medidas anunciadas por Ayuso na sexta-feira e que nesta segunda-feira entrarão em vigor.

Também insistem que, da parte de Sánchez, não cairá na "tentação da censura" e esperam encontrar a mesma atitude na governante regional. "O problema é muito importante, já atinge quase um milhão de pessoas e se não for resolvido rapidamente pode agravar-se. Nesse caso - explicam - as medidas a ser adotadas seriam muito mais drásticas e as suas consequências sociais e económicas seriam muito graves.

Para evitar isso, Díaz Ayuso vai fazer dois outros pedidos para Sánchez. Por um lado, procurar "mecanismos jurídicos" que permitam às comunidades autónomas adotarem as medidas necessárias com plena "segurança jurídica"; e, por outro, reforçar a fiscalização dos viajantes que chegam a Madrid através do aeroporto de Barajas, como o executivo regional reclama há semanas, mas também daqueles que o fazem utilizando o comboio de alta velocidade.

Do governo central também se insiste que a ajuda a Madrid não deve ser interpretada como algo excecional e sublinham que o Governo tem uma "mão estendida" para qualquer outro território que o requeira, sem ressuscitar receios de uma invasão de competência. As fontes consultadas, aliás, não só não descartam como consideram "altamente provável" que Sánchez convoque em breve uma nova Conferência de Presidentes.

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