Embaixador chinês aponta Macau como prova do sucesso da fórmula "um país, dois sistemas"

Cai Run inaugurou nesta quarta-feira no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, uma exposição comemorativa do 20.º aniversário da devolução do território à China, após mais de quatro séculos de presença portuguesa. O general Rocha Vieira, último governador de Macau, assistiu à cerimónia.

"O PIB de Macau multiplicou-se por oito" nestas duas décadas, afirmou esta quarta-feira em Lisboa o embaixador chinês em Portugal depois de dar vários valores em patacas, facto que destacou como uma das provas de que a fórmula "um país, dois sistemas" funciona bem. Cai Run - que elogiou também a convivência na cidade entre chineses e portugueses e outras comunidades - discursava durante a cerimónia de abertura no Centro Científico e Cultural de Macau de uma exposição por ocasião "do 20.º aniversário do retorno de Macau à Mãe-Pátria", que ocorreu em 20 de dezembro de 1999.

Mesmo sem nenhuma alusão a Hong Kong, antiga colónia britânica restituída à China em 1997 e que tem sido palco de protestos a exigir maior democracia às autoridades de Pequim, foi evidente que o embaixador fazia questão de destacar a "evolução muito positiva" da Região Administrativa Especial de Macau, uma espécie de contraponto à cidade vizinha.

Entre a assistência estava o último governador português de Macau, o general Rocha Vieira, que foi quem há 20 anos recolheu a bandeira que pôs fim a uma presença administrativa portuguesa que vinha do século XVI. Além daquele que pode ser designado como o último governador do império, também marcaram presença na inauguração da exposição figuras como o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, o presidente da Fundação Oriente, Carlos Monjardino, e o deputado social-democrata Paulo Neves. Vários embaixadores estiveram igualmente na cerimónia, como os da Rússia, Cuba, Espanha, Uruguai, Coreia do Sul e Filipinas.

Cai Run, além de elogiar a forma como China e Portugal resolveram a questão de Macau, destacou ainda as relações luso-chinesas como estando "no seu melhor momento de sempre" e que o velho conhecimento entre os dois países e o pragmatismo no modo como lidam um com o outro traz esperança de ainda maior cooperação futuro. Uma afirmação para ser entendida no âmbito das pressões atuais da Administração dos Estados Unidos para que o governo português suavize a relação económica com a China, nomeadamente a concessão da rede 5G à Huawei, uma empresa chinesa.

A exposição, que consiste sobretudo de fotografias, pode ser visitada nas próximas semanas no Centro Científico e Cultural de Macau, que fica na Rua da Junqueira, e possui uma coleção permanente de peças chinesas que merece atenção.

A ideia de "um país, dois sistemas" permitiu a Pequim negociar a devolução de Hong Kong e Macau com base na garantia chinesa de que o comunismo não se aplicaria automaticamente nos dois territórios, mantendo estes ampla autonomia e um sistema de governo próprio. Em Macau, a língua portuguesa garantiu também ser co-oficial durante meio século.

Taiwan, a ilha onde em 1949 se refugiaram os nacionalistas que perderam a guerra civil chinesa, tem mostrado escasso interesse pela fórmula "um país, dois sistemas". Pequim adverte tradicionalmente quem governa Taipé que uma declaração formal de independência não será tolerada e que a reunificação tem de acontecer a médio prazo.

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