Cumprimentos com cotovelada também são de evitar. OMS sugere levar a mão ao coração

O contacto gera casos de covid, por isso, especialistas desaconselham qualquer tipo de toque, mesmo o novo cumprimento: uma cotovelada.

No momento em que encontramos alguém que conhecemos e que já não víamos há muito, a tendência é natural, o corpo quase que se inclina para junto da outra pessoa. Depois o alerta: deixámos de nos poder cumprimentar através do toque há seis meses. Segundo especialistas, um sorriso - mesmo que disfarçado por uma máscara - deverá ser o suficiente para dizer "olá" a alguém nos próximos tempos.

Não são só os beijos, os abraços. Até uma cotovelada amigável - o novo cumprimento criado durante a pandemia - é de evitar. Vemo-lo reproduzido por todo o lado, na rua, na televisão, ​​​​​​mas, segundo o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS), não é aconselhável.

"Ao cumprimentar as outras pessoas, o melhor é evitar cotoveladas, porque estas colocam-nos a menos de um metro de distância da outra pessoa", escreveu, na rede social Twitter, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Então, como nos devemos cumprimentar? O diretor da OMS sugere o gesto de levar a mão ao coração, mantendo sempre uma distância de, no mínimo, 1,5 metros em relação a outra pessoa.

Outros especialistas têm-se pronunciado sobre a questão da cotovelada. Citado pelo espanhol ABC, Carlos Fuente Lafuente, diretor do Centro de Treino de Protocolos do ISEMCO e ex-responsável pelo protocolo da Fundação Princesa das Astúrias referiu: "O toque de cotovelo a que temos assistido tanto, na minha opinião, é uma saudação de mau gosto, anti-higiénica, que não cumpre as normas sobre o distanciamento social".

Quem fala no toque de cotovelo, também descarta todos as outras formas de cumprimento que não respeitem a distância de segurança, como um toque com os pés ou até com os punhos fechados, como chegou a ser sugerido que os jogadores de futebol fizessem no início dos jogos.

Tudo se resume a isto: é preciso reduzir, ao máximo, o contacto físico. Em Portugal, ainda esta sexta-feira, durante a conferência de imprensa onde é feito um balanço da situação epidemiológica portuguesa, a diretora-geral da Saúde apelava à diminuição do convívio, lembrando que "estamos numa pandemia" e que o número de novos casos de infeção está novamente a crescer.

Graça Freitas pediu mais distanciamento, mesmo entre familiares que não vivam juntos, para tentar evitar a propagação do contágio do novo coronavírus.

Independentemente das outras medidas tomadas, "o convívio tem de ser diminuído. Estamos numa pandemia", lembra Graça Freitas, numa altura em que "os casos [de covid] estão a subir e todos temos de aumentar o nosso nível de alerta, de prevenção e de contenção".

Nas últimas três semanas, o ritmo de propagação do vírus cresceu, atingindo valores registados em abril, nas primeiras semanas do confinamento (e estado de emergência). Esta sexta-feira, de acordo com o boletim epidemiológico da DGS, foram confirmadas mais três mortes e 687 novas infeções pelo novo coronavírus. É preciso recuar até ao dia 16 de abril, quando foram notificados 750 casos, para encontrar um valor mais elevado de contágios diários.

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