Crianças dinamarquesas voltam às escolas e a máscara não é recomendada

É o primeiro país europeu a promover o regresso às aulas e o uso de máscaras não é recomendado. A primeira-ministra Mette Frederiksen foi a uma escola falar aos alunos. Há pais aliviados, outros preocupados.

Crianças felizes e pais aliviados à porta de uma escola em Copenhaga. Os mais jovens dinamarqueses tornaram-se, esta quarta-feira, os primeiros alunos de uma Europa afetada por semanas de confinamento a voltarem às salas de aula.

Sob um céu cinzento e um vento forte, os cerca de 220 alunos do primeiro ao terceiro anos foram recebidos esta manhã pelos seus professores, com pequenas bandeiras dinamarquesas de boas-vindas nas mãos, mas sem máscara. O seu uso não é recomendado no país nórdico.

Os seus companheiros do quarto, quinto e sexto anos (um nível ainda fundamental no sistema escolar dinamarquês) começam amanhã, quinta-feira.

Para Caroline, mãe de dois filhos, este dia representa um verdadeiro alívio. "Sinto-me bem, realmente bem", disse à AFP, depois de ter garantido, durante um mês, que a sua filha mais velha de 7 anos continuasse a estudar em casa.

Vazias desde 12 de março, data em que o governo impôs restrições para conter a propagação do vírus, as cadeiras escolares dinamarquesas serão progressivamente ocupadas.

Creches, jardins-de-infância e escolas de ensino básico reabrem hoje, enquanto os estudantes do ensino secundário (à exceção do primeiro e do último ano) terão de esperar até 10 de maio.

A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen foi hoje a uma escola falar aos alunos. A governante anunciou, em 6 de abril, a suspensão gradual das restrições em vigor para lutar contra o novo coronavírus.

Bares, restaurantes, salões de beleza, estabelecimentos comerciais e discotecas permanecem fechados. Reuniões com mais de dez pessoas continuam proibidas.

A reabertura das escolas foi anunciada pelo governo "com a condição de que cada um mantenha a distância e lave as mãos". Conforme determinação das autoridades, as instituições de ensino deverão garantir uma distância de dois metros entre as mesas dos alunos e organizar recreações em pequenos grupos.

Para atender a esses requisitos, "usamos as salas normalmente usadas pelas turmas mais velhas, que atualmente seguem os cursos em casa", diz uma fonte da escola.

Em cada sala, as crianças estão sentadas a dois metros de distância umas das outras, e os recipientes de álcool em gel ficam próximos para serem usados regularmente.

Hoje, as aulas foram retomadas em apenas metade dos municípios dinamarqueses e em 35% dos estabelecimentos de Copenhaga. Os demais precisarão de mais tempo para se adaptar às normas de segurança sanitária ainda em vigor.

A expectativa é que todos os estabelecimentos de ensino estejam abertos em 20 de abril.

A reabertura das escolas também foi criticada por alguns preocupados pais de alunos. Um abaixo-assinado chamado "O meu filho não é um rato de laboratório" reuniu, até ontem, cerca de 18 mil assinaturas.

"As crianças podem transmitir o vírus sem ficar doentes", afirma a petição.

"Muitos pais devem manter os filhos em casa", afirmou Henrik Wilhelmsen, diretor de uma escola do bairro de Nørrebro, em Copenhaga.

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