Covid-19. Tratamento com hidroxicloroquina confirmado e logo contestado

O professor Didier Raoult publicou um novo estudo sobre hidroxicloroquina no site do Instituto Universitário Universitário (IHU) Méditerranée Infection de Marselha. E voltou a ser criticado por outros cientistas

"Confirmamos a eficácia da hidroxicloroquina em combinação com a azitromicina (um antibiótico) no tratamento do Covid-19", escreveu o médico Didier Raoult e sua equipa, no site oficial do Instituto Universitário Universitário (IHU) Méditerranée Infection de Marselha - especializado em doenças infetocontagiosas.

Este anúncio foi, no entanto, contestado de imediato por vários outros especialistas que argumentaram que era impossível tirar essa conclusão com base exclusivamente neste estudo, que não foi publicado ainda em nenhuma revista científica, devido à forma como foi desenvolvido.

Segundo o jornal francês Le Monde, que está a acompanhar este debate científico, estes cientistas alegam que o estudo não inclui um grupo de controlo (ou seja, pacientes que não estão a receber o tratamento em estudo) e, portanto, é impossível fazer uma comparação para determinar se é o tratamento que está a causar as melhoras. Além disso, é apenas baseado em 80 doentes que observados no IHU.

Os dados conhecidos sobre a totalidade de infetados no mundo indicam que 85% dos casos leves, 15% dos casos graves, 5% dos casos em terapia intensiva - números também coincidem com os das 80 pessoas atendidas na IHU de Marselha.

A hidroxicloroquina - um derivado da cloroquina, um medicamento contra a malária - é um tratamento reconhecido para certas doenças crónicas, como lúpus ou artrite reumatoide. Segundo o professor Raoult, essa molécula também é eficaz contra a epidemia do Covid-19.

De acordo ainda com o Le Monde, está a ser realizado um grande estudo europeu coordenado pelo INSERM - um organismo público francês de investigação científica - para testar a eficácia de diferentes moléculas, incluindo a hidroxicloroquina, contra o Covid-19.

Oitocentos pacientes franceses com formas graves de Covid-19 serão incluídos neste estudo e 3.200 de toda a Europa. Esta pesquisa terá um alcance científico mais seguro. Prevê cinco métodos de tratamento, entre os quais a hidroxicloroquina, que será comparada como as outras moléculas testadas.

"A hidroxicloroquina será comparada como as outras moléculas. Nem mais nem menos", afiança o diretor do INSERM Dr. Gilles Pialoux.

O número de casos confirmados de infeção pela covid-19 em França era, este sábado, de 37.575, registando-se ainda 2.314 vítimas mortais desde o início da pandemia, segundo os números divulgados pelas autoridades francesas.

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