Coreia do Norte alerta para "poeira amarela" vinda da China. Teme que possa levar o novo coronavirus

País pediu à população para permanecer em casa e todos os trabalhos ao ar livre foram proibidos por temer que a "poeira amarela" proveniente da China possa trazer uma carga do novo coronavírus. Pyongyang considera que a nuvem de pó carrega "material tóxico, vírus e microorganismos patogénicos".

A Coreia do Norte pediu à população para permanecer em casa por temer que uma nuvem de "poeira amarela" proveniente da China possa trazer para o país o novo coronavírus, responsável pela doença covid-19.

A televisão estatal emitiu, na quarta-feira, vários alertas meteorológicos indicando que a "poeira amarela" iria atingir o país no dia seguinte. Foi também anunciada a proibição de trabalhos ao ar livre. Isto porque Pyongyang considera que a nuvem de pó carrega "material tóxico, vírus e microrganismos patogénicos". Na quinta-feira, as ruas da capital terão ficado desertas.

As autoridades norte-coreanas temem que nuvem de pó vinda da China possa carregar o novo coronavírus. As nuvens de "poeira amarela" estão, no entanto, relacionadas com a areia dos desertos da Mongólia e da China, que atingem por vezes a Coreia do Norte e a Coreia do Sul em determinadas alturas do ano.

Embaixada russa também emitiu alerta

Aliás, não é conhecida nenhuma relação entre este fenómeno meteorológico e a covid-19, indica a BBC. Ainda assim, os alertas sobre a "poeira amarela" vinda da China não surgiram só da Coreia do Norte.

Conta a emissora britânica que também o Turquemenistão alegou que a poeira carrega vírus e que foi a razão pela qual foi recomendado aos cidadãos o uso de máscara. Há embaixadas que também lançaram alertas, uma das quais a da Rússia.

A Coreia do Norte, recorde-se, já afirmou que o país está livre do vírus, estando em alerta máximo desde janeiro, com as fronteiras fechadas e restrições à mobilidade.

Os media estatais norte-coreanos alegam que a investigação que liga o novo coronavírus à transmissão por via aérea mostra que se "deve levar a sério o fluxo de entrada de pó amarelo", referiu o site de notícias North Korea News (NK News). Um argumento rejeitado pelos órgãos de comunicação da Coreia do Sul, que também não reconhecem a ligação da nuvem de pó com o novo coronavírus, indica ainda a NK News.

É um facto que o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos atualizou no início de outubro as suas orientações, frisando que a covid-19 pode ser transmitido por transmissão aérea. Quer isto dizer que há a possibilidade de algumas infeções serem transmitidas pela exposição ao vírus em pequenas gotículas e partículas, ou aerossóis, que podem permanecer no ar durante minutos ou até horas.

No entanto, o CDC também reconhece que é extremamente raro o contágio por esta via. O organismo indica relatórios publicados que mostraram circunstâncias "limitadas e pouco comuns" em que pessoas com covid-19 infetaram outras que estavam a mais de dois metros de distância.

"De todo o universo de contaminações, no mundo inteiro, o dominante é a contaminação de pessoa a pessoa. Não são eventuais exceções que vão fazer a diferença", afirmou, em entrevista ao DN, Miguel Castanho, o responsável pelo laboratório de Bioquímica de Desenvolvimento de Fármacos e Alvos Terapêuticos do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, em Lisboa. "Em teoria, a transmissão por aerossóis é possível, poderá ter acontecido uma ou outra vez, mas não é essa árvore que faz a floresta", referiu o especialista.

As principais formas de transmissão do vírus, dizem os especialistas, continuam a ser através de gotículas que são expelidas de pessoa para pessoa, pelo que se recomenda uma distância física de pelo menos dois metros, a lavagem regular das mãos, a etiqueta respiratória, e o uso de máscara em locais em que existam aglomerados de pessoas.

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