Contraste entre presidentes: Trump sempre na rua, Putin numa "bolha"

Putin nunca desvalorizou o coronavírus e criou regras especiais de segurança: afastou-se das ruas e todos os que reuniam com ele tinham de passar por um túnel de desinfeção. Donald Trump, agora infetado, fez o inverso, com uma intensa agenda política e social.

São diferenças que definem dois estilos de governação que apesar de terem laços comuns seguem caminhos distintos. Nestes meses de pandemia de covid-19, Donald Trump manteve uma intensa agenda entre atos públicos como presidente e sessões de campanha como candidato a novo mandato como presidente dos Estados Unidos da América. Na Rússia, Vladimir Putin optou por um comportamento completamente distinto, saindo da esfera pública e vivendo praticamente numa bolha, com exceções só para reuniões muito especiais ou encontros com chefes de Estado.

Os dois países foram duramente atingidos pela covid-19. Os EUA já ultrapassaram os 7,5 milhões de infeções e têm mais de 207 mil mortes. A Rússia regista mais de 1,1 milhão de casos e mais de 21 mil mortes. Desde que o novo coronavírus começou a infetar russos, Putin refugiou-se em local seguro com as reuniões por videoconferência a serem uma regra, com medidas de segurança extremas a serem tomadas. Tudo muito diferente de Trump que manteve uma agitada agenda política e social.

A principal base de Putin durante a pandemia, de acordo com a sua assessoria de imprensa, foi Novo-Ogaryovo, uma residência que o presidente russo dispõe fora de Moscovo. Já em abril, o porta-voz do Kremlin, Dimitry Peskov, deixou claro que novas medidas tinham sido postas em prática para proteger o presidente: todos os que se encontrassem com Putin, disse na altura, seriam testados à covid-19 e todas os encontros com o presidente seriam realizados com o distanciamento social em vigor.

Mas foi muito mais do que o mero distanciamento social, como relata a CNN.> Em junho, Dimitry Peskov confirmou que túneis especiais para desinfeção foram instalados no Kremlin e na casa em Novo-Ogaryovo como uma defesa contra a propagação do vírus. No mesmo mês, Putin esteve num desfile do Dia da Vitória e dezenas de veteranos da II Guerra Mundial que estiveram ao lado do presidente nas bancadas tiveram antes de ficar em quarentena por duas semanas.

Mais recentemente, a agência de notícias russa Proekt documentou as extensas regras em torno do contacto com a presidente da Rússia: mesmo uma breve presença para uma simples fotografia exigia que o visitante passasse antes por uma quarentena de duas semanas, independentemente da sua posição. Seja um gestor de uma empresa estatal de gás ou um grupo de cientistas agraciado com uma medalha e um aperto de mão - todos tiveram que cumprir o protocolo.

A mesma agência relatou que, durante o verão, os funcionários mais próximos de Putin, incluindo secretários, autores de discursos e fotógrafos pessoais, foram divididos entre as residências em Sochi e Moscovo. Ambos os grupos tiveram que ficar em quarentena num resort de saúde próximo durante duas semanas e passaram todos por testes extensivos, de acordo com a Proekt.

Com pouquíssimos eventos públicos e praticamente nenhuma disponibilidade para a imprensa desde o início da pandemia, até mesmo o número de jornalistas do Kremlin foi significativamente reduzido. Nas raras ocasiões em que Putin teve de comparecer num evento de massas, como uma reunião em setembro com o Senado da Rússia no Kremlin, as filmagens mostraram uns bons dez metros de distanciamento social entre o presidente e todos os outros.

Apesar de gozar de boa saúde, Putin tem 67 anos e sabe que se contraísse o vírus a instabilidade política podia ser criada. E tinha sinais de alerta: em maio, Peskov - um homem de confiança e conselheiro próximo de Putin - foi hospitalizado com covid-19. Já recuperou, mas pelo menos três ministros russos testaram positivo, incluindo o primeiro-ministro Mikhail Mishustin, a ministra da Cultura Olga Lyubimova e o da Habitação, Vladimir Yakushev.

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Putin procurou também marcar pontos nesta pandemia seja através do envio de ajuda médica para vários países ou por decretar um confinamento sem duvidar do perigo do novo coronavírus. Isto apesar de muitas críticas do pessoal médico russo à falta de equipamento. Depois, o presidente russo apostou muito no desenvolvimento de uma vacina e até anunciou que a Rússia apressou a aprovação, embora não tivesse passado por testes de fase 3.

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strong>Putin revelou mesmo que uma das suas filhas tomou a vacina durante os testes. Mas o presidente ainda não experimentou. Questionado, Peskov disse que o presidente está a considerar tomar, mas acrescentou que "quando se trata do chefe de estado, medidas de precaução especiais estão em vigor".

As notícias de que Donald Trump e a primeira-dama Melania testaram positivo tiveram impacto nas notícias da Rússia, sendo um dos temas do dia. Vladimir Putin já enviou a Trump um telegrama em que deseja a ambos uma recuperação rápida. "Tenho certeza de que a sua vitalidade inerente, bom humor e otimismo o ajudarão a lidar com o perigoso vírus", disse Putin, de acordo com uma leitura do telegrama feita pelo Kremlin.

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