Diretor da Interpol desaparecido está detido na China. E demitiu-se

Mulher de Meng Hongwei tinha denunciado o seu desaparecimento. Interpol anunciou a sua demissão e quem será o substituto

O órgão anticorrupção da China declarou este domingo que as autoridades chinesas estão a investigar Meng Hongwei, diretor da Interpol dado como desaparecido, por "suspeitas de violação da lei" e que o colocaram "sob supervisão" das forças anticorrupção do país.

O também vice-ministro da segurança pública foi dado como desaparecido depois de viajar da cidade de Lyon, em França, para a China. Já este domingo, a mulher de Meng, Grace, revelou que recebeu duas mensagens sms do seu marido em 25 de setembro, e desde então não tem notícias suas. Uma delas era uma fotografia de uma faca, o que a fez acreditar que o marido corria perigo.

Num comunicado publicado no site, conta a BBC, a Comissão Nacional de Supervisão chinesa, que trata dos casos de corrupção que envolvem funcionários públicos, adiantou que Meng está sob investigação por "suspeitas de violação da lei", mas não especificou mais detalhes sobre o caso.

A Interpol, entretanto, anunciou que Meng demitiu-se do seu cargo:

"Hoje, domingo, 7 de outubro, o secretariado-geral da Interpol em Lyon recebeu a demissão de Meng Hongwei como presidente da Interpol com efeitos imediatos", revelou a organização num comunicado publicado no Twitter. Na mesma nota, a Interpol anunciou que Kim Jong Yang, da Coreia do Sul, será o presidente interino até à nomeação de um novo por um período de dois anos, numa reunião a 18 de novembro no Dubai.

De acordo com o South China Morning Post, que cita uma fonte anónima, Meng terá sido levado para interrogatório assim que aterrou na China.

Segundo o mesmo jornal, no dia 30 de setembro decorreu uma reunião de altos dirigentes do Partido Comunista chinês na qual o ministro da Segurança Pública, Zhao Kezhi, revelou detalhes de uma conversa com Ding Xuexiang, chefe de gabinete do Presidente chinês Xi Jinping, onde alertou para a necessidade urgente de reforçar a vigilância contra a corrupção.

Na sexta-feira, a procuradoria de Lyon, na França, abriu uma investigação sobre o desaparecimento do então diretor da Interpol, que, de acordo com diversos media chineses, estaria a ser investigado como antigo responsável do governo e poderá ter sido vítima de uma purga interna do regime.

Apesar de ser um cargo essencialmente honorífico, a designação de Meng foi muito criticada por organizações de defesa dos direitos humanos.

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