Casa Botín: o restaurante mais antigo do mundo reabriu esta quarta-feira

Aberto desde 1725, em Madrid, o restaurante que recebeu Goya e Hemingway esteve fechado durante a quarentena mas voltou a funcionar a 1 de julho.

Não tinha fechado um único dia desde que abriu as portas em 1725. Nem mesmo durante a Guerra Civil, quando a família proprietária foi obrigada a sair dali, com exceção do avô, que ficou sozinho a comandar o fogão para que a administração da capital pudesse continuar a usá-lo como sede. Por isso, de acordo com o Guinness Book of Records, a Casa Botín, a poucos passos da Plaza Mayor de Madrid, é considerado o restaurante mais antigo do mundo. E só o coronavírus conseguiu fechar um dos 10 melhores "restaurantes clássicos" do mundo, na classificação da revista Forbes: desde 14 de março, quando foi declarado o estado de emergência em Espanha, a Casa Botín tem estado encerrada. Reabre, finalmente, na quarta-feira, 1 de julho.

Porém, durante a pandemia, o fumo continuou a sair da chaminé do restaurante, cujos pratos emblemáticos são leitão e cordeiro assados ​​ao estilo castelhano, na lenha. Isso aconteceu, conta o El Mundo, graças a Marcos, um dos 75 funcionários da casa, que vinha acender o forno todas as manhãs. "Nunca esteve apagado desde 1725 e não queríamos arriscar danificá-lo se o fizéssemos, então a chama olímpica do porco foi mantida viva, como dizemos aqui", ri José González, membro da terceira geração da segunda família proprietária do lugar. Num dia bom podem assar cerca de 60 leitões inteiros, mais 20 ou 30 cordeiros.

O restaurante tem três pisos mais a adega subterrânea. As restrições impostas pelo coronavírus forçaram a redução da lotação do espaço, que abrirá só com 15 mesas. Além disso, pela primeira vez, a Casa Botín terá um terraço ao ar livre. E o menu será reduzido, embora se mantenham os clássicos como o leitão, o cabrito e o gaspacho. O preço do menu do dia é 44 euros.

Para a sobremesa, não faltará a Tart Botín, já degustada pelo escritor Benito Pérez Galdós, uma das figuras que costuma frequentar o local e o referiu em vários romances, incluindo no famoso Fortunata y Jacinta. Também o escritor norte-americano Ernest Hemingway, que adorava leitão e vinho, considerava-o um dos melhores restaurantes do mundo,

Dizem também que um jovem Francisco de Goya esteve ali a lavar pratos quando chegou à cidade, vindo de Saragoça. "Não há qualquer registo, mas os testemunhos indicam que ele trabalhava num restaurante ao lado da Plaza Mayor e não havia outro na época", diz ao El Mundo Celso Solís, gerente atual, que trabalha no estabelecimento há 30 anos.

"Por aqui passa todo o tipo de pessoas: artistas, intelectuais, reis, jornalistas ... Lembro-me do presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, que veio várias vezes, além de Putin e sua esposa. Não esquecendo que todos os embaixadores que fazem aqui as suas apresentações oficiais quando chegam à Espanha ".

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