Bélgica anuncia confinamento "parcial"

Novas medidas aplicam-se a todo o país após acordo entre os governos das duas grandes regiões da federação belga.

O chefe do governo federal na Bélgica anunciou esta quarta-feira novas medidas de confinamento que entram em vigor à meia-noite em todo o território.

O governo federal esteve reunido esta tarde para concertar posições entre os governos das grandes regiões belgas, anunciando ao inicio da noite que a Flandres acompanha as medidas restritivas já em vigor no restante território.

As atividades culturais, desportivas e recreativas, já proibidas na Valónia e em Bruxelas, ficam agora banidas em todo país. Cafés e restaurantes estão encerrados desde a semana passada.

O recolher obrigatório tem vindo a ser ampliado em várias regiões do país, e é "a exceção" no plano nacional, tendo em conta que tanto no sul, como na capital terá uma duração prolongada, com início às 22.00 até às 06.00.

O teletrabalho é obrigatório. O ensino secundário está desde esta quarta-feira a funcionar à distância, e muitas escolas primárias acionaram um plano de alerta de última hora, e neste mesmo dia já não abriram portas, permanecendo encerradas até ao período normal de férias, no calendário escolar.

A justificação enviada já de madrugada a alguns pais é que as infeções e quarentenas entre o pessoal docente e entre alunos e encarregados de educação, torna impossível a manutenção dos estabelecimentos abertos.

Perante a degradação da situação no país, foram as próprias autoridades de saúde belgas que lançaram um apelo à população, para se preparar para uma aceleração do número de mortes nos próximos dias.

O coordenador federal para covid-19, na Bélgica, Yves Van Laethem que já reclamou medidas urgentes, admitiu que os números mais recentes geram "inquietação".

"Há dois dias registámos a marca de 100 mortes em 24 horas. No período de uma semana, tivemos 540 mortes ligadas à covid. É um aumento de 80 por cento em relação à semana anterior.

O especialista alertou também para o número de pessoas internadas em estado grave, tendo em conta que "911 estão atualmente nos cuidados intensivos. É mais de uma centena, em ralação aos dois últimos dias. Nos cuidados intensivos, o número duplica todas as semanas, sem que vejamos entretanto qualquer melhoria".

Dentro de "dois dias" será atingida a barreira de 1000 pacientes em terapia intensiva. O coordenador da saúde pública avisa que os cuidados intensivos estão a aproximar-se do limite máximo, e podem colapsar na próxima semana.

"Poderemos passar os dois mil pacientes no início de novembro. A data atual de projeção é à volta de seis de novembro. Por isso, um bocado mais cedo do que chegámos a pensar", avisou, admitindo que o agravamento do número de mortes diárias por covid-19 é inevitável.

"Devemos preparar-nos para ouvir esses números. É por essa razão que devemos aplicar ao máximo todas as medidas, que é coisa mais eficaz que podemos fazer, por nós e pelos outros", vincou.

Com os hospitais a uma semana do colapso, e sem profissionais de saúde que cheguem para enfrentar o "tsunami", o coordenador apela a um gesto solidário básico, da parte da população, para com os médicos e enfermeiros.

"Não será propriamente aplaudir às oito da noite, mas penso que temos de lhes demonstrar solidariedade. E, a melhor forma é seguir as medidas, para que não estejam outra vez sobrecarregados durante um longo período, nos cuidados de primeira linha ou para os que estão hospitalizados", sugeriu.

A Bélgica tem a mais elevada a taxa de infeções da Europa, com cerca de 1500 infeções por 100 mil habitantes. Na semana passada atingiu o recorde de 18 mil infeções em 24 horas.

A média atual ronda as 13 mil infeções diárias, depois de o governo ter decidido que as pessoas assintomáticas não seriam testadas. O número total de mortes ultrapassou hoje as 11 mil.

Entretanto, a antiga primeira-ministra, e atual chefe da diplomacia belga, Sophie Wilmès, que uniu uma geringonça de nove partidos para que o país não ficasse sem governo durante a primeira vaga, saiu nesta quarta-feira dos cuidados intensivos, mas vai continuar internada.

A atual número dois do governo federal da Bélgica testou positivo para a covid-19, há pouco mais de uma semana, e permaneceu os 5 dias nos cuidados intensivos.

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