Autor do relatório sobre Trump decidiu desaparecer até polémica passar

Christopher Steele teme pela sua segurança depois de ter sido noticiado que fizera o relatório que Trump classificou como "uma impostura" e "informação falsa"

Na quarta-feira de manhã Christopher Steele saiu de casa, em Surrey, Inglaterra, e não voltou. O antigo espião do MI6 teve noção de que estava para breve a divulgação de que fora ele o autor de um relatório segundo o qual Moscovo conspirou durante anos para estabelecer relações com Donald Trump e desapareceu sem deixar rasto.

O dossiê de 35 páginas divulgado pelo site BuzzFeed e a CNN, cujo conteúdo não está confirmado nem foi validado por qualquer entidade oficial, terá sido considerado uma fonte viável pelos norte-americanos em relação à Rússia. Os documentos alegam que Moscovo partilha informações com Trump "há pelo menos cinco anos", com o objetivo de "encorajar divisões na aliança ocidental". Além disso, mencionam a existência de material comprometedor.

O documento, que o presidente eleito classificou ontem em conferência de imprensa como "uma impostura" e "informação falsa", foi escrito por Christopher Steele, agora diretor da consultora Orbis, segundo avançou ontem o The Wall Street Journal.

Fonte próxima do ex-espião disse ao The Telegraph que o antigo espião do MI6 receia pela sua segurança e da sua família. Um vizinho revelou que Christopher Steele saiu de casa na quarta-feira de manhã e não voltou e que a família também não estivera em casa durante a noite. "Pediu-me para olhar pelo gato, que ia estar fora durante uns dias", contou o vizinho ao jornal britânico.

O The Guardian, por seu lado, retrata Christopher Steele como um "profissional sóbrio, cauteloso e meticuloso, com um historial formidável". Um antigo colega de trabalho que o conhece há 25 anos e o considera um amigo afirmou ao jornal que o antigo espião "é um profissional experiente e altamente considerado" e que não é pessoa de dar crédito a fofocas. "Se coloca algo num relatório é porque acredita que tem credibilidade suficiente", disse.

Trump atacou o documento alegadamente elaborado por Steele, segundo o qual a campanha do então candidato republicano manteve contacto regular com autoridades e operacionais russos, e Moscovo tem provas incriminatórias sobre o multimilionário nova-iorquino que podem ser usadas para o chantagear. Neste caso, seria um vídeo de Trump num quarto de hotel de Moscovo com prostitutas.

"Acho que é uma desgraça que essa informação tenha sido divulgada. São tudo notícias falsas. Isso não aconteceu. Foram opositores, pessoas doentes que o divulgaram", reagiu Donald Trump, que criticou as agência de informação dos EUA e comparou a situação a algo "que a Alemanha nazi teria feito".

Mais tarde, o diretor dos serviços secretos norte-americanos emitiu um comunicado em que revelou ter falado com Trump para discutir o dossiê. James Clapper realçou que o documento não era um produto dos serviços secretos e que não acredita que a fuga de informação tenha tido origem na comunidade dos serviços de informações.

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