A Nova Zelândia volta 16 anos depois ao Mundial. Sem sofrer em demasia na campanha de apuramento na Oceania, nitidamente a mais acessível, os All Whites - nome que se distingue, propositadamente, dos All Blacks, seleção de râguebi e maior destaque desportivo do país - ganharam os três jogos da fase de grupos, marcando 19 golos. Confirmaram a vaga ao ultrapassar na meia-final Fiji por 7-0 e na decisão final a Nova Caledónia por 3-0. Recentemente, no FIFA Series bateram o Chile por 4-1 depois de apenas uma vitória em oito encontros de preparação em 2025. O teste no particular com Inglaterra será uma boa forma de aferir a evolução do projeto.À terceira participação a meta é encontrar a primeira vitória. Ainda adolescente, Chris Wood participou na África do Sul em 2010 e partilha com Tommy Smith essa experiência de regressar ao grande certame. Neste caso, com a possibilidade de transmitir experiência aos estreantes em fases finais. O camisola 9 é a grande referência. Apesar de dizer que "a Nova Zelândia evoluiu muito e trabalha bem a bola", o estilo de jogo continua a ser muito direto e o impacto de Wood na área é determinante pelo aproveitamento dado a cruzamentos. Em 2024/25 marcara 20 golos pelo Nottingham Forest, nesta época viveu uma lesão que lhe impediu semelhante destaque. Um problema crónico num joelho forçou uma cirurgia e um afastamento prolongado. Apesar de dar garantias de estar em condições plenas, os alarmes soaram nos Kiwi, alcunha que deriva do pássaro local e protegido no seu habitat. Na fase de apuramento para o Mundial foi fulcral, perfazendo nove golos.Em 2010, apesar de sair sem vencer, é justo dizer que a campanha não desiludiu. A Nova Zelândia foi sempre equilibrada e empatou os jogos com Itália, Paraguai e Eslováquia. Há um crescimento do futebol na Austrália, para onde uma enorme percentagem de neozelandeses emigra, mas também nas cidades de Wellington e Auckland. A convocatória ainda depende de muitos jogadores a militar nos campeonatos na Oceania. Ben Old, no St. Étienne, da Ligue 2, costuma ser aposta, e no meio-campo há solidez na dupla Joe Bell, que alinha nos noruegueses do Viking, e Marko Stamenic, que superou os 40 jogos na época, alinhando pelo Swansea. É previsível uma estratégia defensiva, para tentar controlar as incidências dos encontros.No comando técnico está Darren Bazeley, treinador que comandou a seleção em três mundiais de sub-20 e conhece muitos dos jovens com quem trabalhado há anos. Ganhou a Nations Cup em 2024 pela seleção principal, já tendo liderado a equipa olímpica, prova em que venceu um jogo.No Grupo G, a Bélgica surge como favorita, mas também o Egito e o Irão têm maiores argumentos individuais e experiência a lutar por troféus nos respetivos continentes do que a Nova Zelândia. Em Auckland, onde mais se vive o futebol no país, já estão preparadas as televisões. Da Baía de Davenport, com vista para o emblemático vulcão Rangitoto, há esperança de que o desporto possa recolocar o país de influência maori no mapa. O arranque, no dia 16, contra Irão e a 22 contra o Egito serão determinantes.Veja a lista de convocados da Nova Zelândia, com números já atribuídos.1 Max Crocombe, Millwall FC2 Tim Payne, Wellington Phoenix3 Francis De Vries, Auckland FC4 Tyler Bindon, Nottingham Forest5 Michael Boxall, Minnesota United6 Joe Bell, Viking FK7 Matt Garbett, Peterborough United8 Marko Stamenić, Swansea City9 Chris Wood, Nottingham Forest10 Sarpreet Singh, Wellington Phoenix11 Eli Just, Motherwell FC12 Alex Paulsen, Lechia Gdańsk13 Liberato Cacace, Wrexham AFC14 Alex Rufer, Wellington Phoenix15 Nando Pijnaker, Auckland FC16 Finn Surman, Portland Timbers17 Kosta Barbarouses, Western Sydney Wanderers18 Ben Waine, Port Vale19 Ben Old, Saint-Étienne20 Callum McCowatt, Silkeborg21 Jesse Randall, Auckland FC22 Michael Woud, Auckland FC23 Ryan Thomas, PEC Zwolle24 Callan Elliot, Auckland FC25 Lachlan Bayliss, Newcastle Jets26 Tommy Smith, Braintree Town.Nova Zelândia garante qualificação para o Mundial2026 de futebol. É a 3ª participação na fase final da prova