Jogador foi expulso frente à Bósnia-Herzegovina
Jogador foi expulso frente à Bósnia-HerzegovinaFoto: Benijamin Fnajoy

Reversão de suspensão de jogador norte-americano alvo de críticas de Blatter e da UEFA

Trump terá ligado a Infantino para pressionar decisão. UEFA diz que reversão "ultrapassou um limite inaceitável". Seleção belga vai recorrer.
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A reversão da suspensão do jogador norte-americano Folarin Balogun anunciada no domingo pela FIFA tem sido alvo de fortes críticas, incluindo o próximo adversário da seleção dos EUA, a Bélgica, à UEFA e até ao antigo presidente da federação internacional, Joseph Blatter.

As críticas surgem após as várias informações que têm sido reveladas sobre um contacto entre o Presidente dos EUA, Donald Trump e o atual líder da FIFA, Gianni Infantino. Este contacto terá envolvido uma pressão da Casa Branca para que o ponta-de-lança suspenso contra a Bósnia-Herzegovina pudesse ir a campo no próximo jogo.

Num comunicado emitido esta segunda-feira, a associação europeia de futebol considerou que a decisão da FIFA "ultrapassou um limite inaceitável". "O futebol, tal como qualquer outro desporto, assenta em regras, que constituem a base para uma competição justa, honesta e transparente. Por vezes, as regras estão abertas a interpretação. Neste caso, não", lê-se na declaração, onde a associação considera que a suspensão automática após um cartão vermelho "não é uma opção discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser aplicada".

"Trata-se de um princípio consagrado nos regulamentos, que não pode ser sujeito a exceções, muito menos no meio de um torneio em que vários outros jogadores se encontraram na mesma situação e cumpriram regularmente a sua suspensão", continua a UEFA.

"Quando a certeza das regras deixa de ser garantida pelos seus guardiões, a integridade do jogo fica em causa e a credibilidade de uma competição é comprometida", acrescentam, sublinhando que esta decisão "cria um precedente no torneio em curso".

"O futebol é o desporto mais amado do mundo porque é um jogo bonito e inspira confiança por ser praticado em todo o lado com as mesmas regras", explicam, expressando ainda "a nossa incredulidade perante uma decisão tão sem precedentes, incompreensível e injustificável".

Trump falou com Infantino e Casa Branca ofereceu ajuda

A notícia da intervenção da Casa Branca foi avançada pelo New York Times este domingo, destacando que Donald Trump telefonou a Infantino horas após o jogo contra a Bósnia na quarta-feira. De acordo com o jornal The Guardian, o líder norte-americano terá feito mesmo três chamadas ao responsável da FIFA para garantir que a decisãoera mesmo revertida.

A Casa Branca, contactada pelo The Athletic, confirmou que houve um contacto entre Infantino e Trump na passada quarta-feira mas não referiu qualquer tipo de pedido de reversão da suspensão a Folarin Balogun. O órgão noticioso online Politico, confirma a chamada Trump-Infantino mas noticia que o Presidente dos EUA perguntou sobre as regras para o cartão vermelho e uma suspensão. Infantino não terá prometido nada, lê-se.

Mas o órgão destaca que o apoio da Casa Branca à campanha de reverter a suspensão de Balogun foi para além de umas chamadas do líder. O secretário do Comércio, Harold Lutnick e Andrew Giuliani, filho do antigo autarca de Nova Iorque e advogado do Presidente Rudy Giuliani, terão oferecido os advogados da Presidência à federação de futebol norte-americana e chegaram mesmo a analisar antigas exibições controversas do árbitro brasileiro Raphael Clauss, que arbitrou o EUA-Bósnia.

Federação Belga "surpresa" com decisão e deve recorrer

A reação da Bélgica surgiu logo no domingo. A Federação Real Belga de Futebol (FRBF) mostrou-se "surpresa" com a decisão da FIFA.

"A fim de salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipas participantes e de proteger os princípios fundamentais do fair play no nosso desporto, tanto nesta Copa do Mundo da FIFA como em futuras edições do torneio, a RBFA está a analisar todas as opções possíveis", lê-se no comunicado publicado no site.

O jornal The Athletic confirmou que a federação belga enviou uma carta à FIFA para recorrer sobre a decisão disciplinar e que o direito de recurso foi garantido.

O selecionador belga, o francês Rudi Garcia, foi mais incisivo e ironizou dizendo que não sabia que o "5 de julho era igual ao 1 de abril na FIFA" -- referenciando o dia das Mentiras.

"Penso que devemos remeter para a [declaração] da minha federação, a federação belga. Penso que nela estão abordados muitos aspetos. A federação não se defende a si própria, não defende a seleção nacional — defende o futebol em geral. Defende a sua integridade. Defende a sua ética", acrescentou.

"Cartões vermelhos não são anulados com telefonemas políticos", diz Blatter

Ao coro das críticas à FIFA juntou-se o antigo presidente e antecessor de Infantino, Joseph Blatter, que partiu para a rede social X para criticar a reversão da suspensão de Balogun e sublinhar que "os cartões vermelhos não são anulados por telefonemas políticos".

"São anulados por regras, provas e organismos independentes. Se um Presidente dos EUA intervir junto do presidente da FIFA — e um jogador for subitamente absolvido antes de um jogo da fase eliminatória do Mundial —, a pergunta é inevitável: Quo vadis, FIFA?", lê-se na publicação. "O futebol nunca deve tornar-se um campo de manobras para o poder político", acrescentou.

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