Rúben Dias defende grupo, desvaloriza críticas e elogia gestão de Martínez no Mundial
MIGUEL A. LOPES

Rúben Dias defende grupo, desvaloriza críticas e elogia gestão de Martínez no Mundial

Central garante estar recuperado, rejeita polémicas em torno de Cristiano Ronaldo e da ida à praia e insiste que Portugal mantém intacta a ambição de chegar longe na competição.
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Rúben Dias assumiu esta sexta-feira, 19 de junho, a defesa do grupo da Seleção Nacional perante o clima de críticas que se seguiu ao empate frente à República Democrática do Congo, garantindo que o balneário continua unido, confiante e totalmente focado na evolução da equipa ao longo do Mundial.

Em conferência de imprensa realizada em Palm Beach, o central do Manchester City, que falhou o primeiro encontro devido a lesão, assegurou estar recuperado e disponível para regressar à competição. "Estou bem e estou pronto", afirmou, quando questionado sobre a condição física e a possibilidade de cumprir os 90 minutos diante do Uzbequistão.

Grande parte da sessão foi dominada pelas análises ao desempenho português no jogo de estreia e pelas críticas dirigidas a Cristiano Ronaldo. Rúben Dias recusou individualizar responsabilidades e lembrou que a pressão mediática faz parte da realidade da equipa nacional. "As setas não estão apontadas só a um jogador. O Cristiano é um grande foco de atenção, mas todos estamos em causa", sublinhou, acrescentando que nada do que está a acontecer foge à normalidade de quem representa Portugal ao mais alto nível.

O defesa mostrou-se pouco preocupado com o ruído exterior e garantiu que as críticas não afetam a confiança do grupo. "Há muita especulação, sobretudo quando os resultados não são os mais positivos, mas isso não belisca a nossa confiança", referiu. Para o internacional português, as dificuldades surgidas logo no início da competição podem até revelar-se positivas. "Quanto mais cedo as dificuldades chegarem, melhor. É nessas alturas que percebemos do que somos feitos."

Questionado sobre os problemas evidenciados frente aos congoleses, Rúben Dias admitiu que a equipa perdeu organização após inaugurar o marcador. Segundo explicou, Portugal entrou bem na partida, mas acabou por relaxar e comprometer a disciplina tática. "Depois do golo perdemos alguma disciplina no posicionamento. Para os nossos jogadores fazerem a diferença é essencial estarem nas posições certas", observou, defendendo que o principal caminho para a melhoria passa precisamente pelo respeito pelas funções de cada elemento em campo.

Essa ideia voltou a surgir quando analisou a possibilidade de enfrentar um adversário com uma linha defensiva de cinco jogadores. Habituado a esse tipo de cenário na Premier League, o central considerou que a resposta não passa por alterar a identidade da equipa. "Há que seguir fiel aos princípios. Respeitar a posição é determinante nestes jogos", afirmou.

Outro dos temas que marcou a conferência foi a polémica em torno da ida dos jogadores à praia durante o estágio. Rúben Dias mostrou-se particularmente crítico em relação à forma como o assunto foi tratado publicamente e considerou que houve falta de contextualização. "Nunca deveria ter sido um tema", afirmou, defendendo que momentos de recuperação e descompressão são fundamentais numa competição desta exigência.

O internacional português foi mais longe e elogiou a decisão da equipa técnica liderada por Roberto Martínez. "É mais do que normal, é benéfico. Feito da maneira certa só há benefícios. O mister não teve receio de o fazer mesmo sabendo que iam fazer o que fizeram. Tiro-lhe o chapéu", declarou.

Apesar das dúvidas levantadas após o primeiro jogo, Rúben Dias insistiu que a Seleção continua a acreditar no seu potencial para chegar longe na competição. "Sabemos o que temos e a capacidade que temos. O importante é transformar isso em performance", referiu, admitindo que ainda existe trabalho pela frente, mas sem abdicar da ambição.

Sobre o mercado de transferências e as notícias que o têm ligado a vários clubes durante o Mundial, o defesa respondeu de forma lacónica. Perante perguntas sobre o futuro ou sobre a possibilidade de seguir os passos de Bernardo Silva para o Real Madrid, limitou-se a uma palavra: "Portugal".

A mensagem final deixou claro o estado de espírito do grupo: confiança, serenidade e concentração total no percurso que ainda está por construir no Mundial.

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Portugal tem estreia frustrante e não vai além do empate com o Congo no Mundial
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