Portugal e Colômbia nunca se encontraram, mas isso não significa que não conheçam bem as armas de cada um com vista ao jogo da madrugada de domingo (00h30). O país sul-americano tem sido, verdadeiramente, um filão para o campeonato português. De lá, o FC Porto galvanizou-se há década e meia com Falcao na frente de ataque, acompanhado depois pela criatividade de James Rodríguez e Guarín para dominar internamente e conquistar uma Liga Europa. Jackson Martínez foi o seguinte: marcou 82 golos em três anos e sagrou-se melhor goleador num ano e campeão por uma vez. Em 2019/20, Luis Díaz reabriu essa mesma porta e com 41 golos em dois anos e meio ajudou o FC Porto a ser campeão duas vezes. Agora, é Luis Suárez, artilheiro do Sporting recrutado ao Almería por 23 milhões de euros, que herda esse destaque, com 38 golos pelos leões na época de estreia e melhor da carreira. Richard Ríos, médio do Benfica, está também na turma cafetera, e foi suplente utilizado nos dois jogos do Mundial. A Colômbia venceu o Uzbequistão por 3-1 e a RD Congo por 1-0, garantindo o apuramento para a fase a eliminar, o quarto em seis presenças. O selecionador Néstor Lorenzo foi contratado em 2022 e teve de fazer uma revolução coletiva, apostando numa nova geração pós Falcao. A final perdida da Copa América, em 2024, já deu indícios de crescimento. A recuperação de James Rodríguez foi o passo seguinte para uma qualificação sul-americana tranquila. Há hoje um prenúncio de adeus do jogador, conhecido como ‘cara de bebé’, à seleção, que o próprio não assume. Desde 2020, James anda de clube em clube. Esta época no Minnesota United acumulou oito jogos, depois de 17 pelo León. Não partia como claro titular, mas, sem ser exuberante, é ainda o homem que, de braçadeira no braço, dita os ritmos. Em 2014, pelos seis golos, por marcar em todos os jogos e pelo estatuto de goleador da prova, James Rodríguez foi o solista da Colômbia de Jackson Martínez, de Cuadrado, Ospina e outros que ficaram conhecidos em Portugal como Quintero (ex-FC Porto) e Arias (ex-Sporting), dupla que ainda integra a seleção neste Mundial 2026. James foi, portanto, considerado um fenómeno e por 75 milhões de euros rumou ao Real Madrid, já depois de o Mónaco ter investido 45 milhões para o retirar do Dragão. Hoje já não é esse jogador, mas não deixa de ter a confiança de Lorenzo, que se dirigiu ao longo dos anos ao Qatar (Al Rayyan), Brasil (São Paulo) e México (León) para garantir ao médio que, apesar de não ter os melhores registos individuais, sempre contou para a seleção. Por isso, não deixa de ser preciso ter atenção ao pé esquerdo de James no 4x2x3x1 cafetero que pouco tem mudado. Daí que, pelo que o DN pôde saber, Roberto Martínez tem insistido em trabalhar a posição 6 mais definida, tendo Rúben Neves e Samu Costa como jogadores mais talhados para o efeito. Até aqui, Portugal nunca enfrentou um 10 e aplicou o 4x2x3x1, pelo que pode bem ser a Colômbia a fazer Martínez adotar, seja em plano inicial, seja ao longo do jogo, o 4x3x3 mais clássico.A Colômbia tem dois movimentos claros, certamente identificados por Portugal. Luis Díaz é o jogador para quem os cafeteros tentam dirigir o último passe, esperando que o extremo de 29 anos possa, dentro da área, definir da melhor forma. Díaz marcou contra o Uzbequistão e foi amplamente elogiado, Depois ficou em branco contra a RD Congo, mas teve quatro remates e 14 toques na área, o que comprova a sua predileção pela proximidade à baliza. Com 41 golos em quatro anos de Liverpool, muito à sombra mediática de Salah e Mané, explodiu na eficácia no Bayern Munique e somou 26 golos e 19 assistências nos bávaros. Se toda a equipa tenta deslocar a bola para a esquerda, é na direita que mora a sensação, justamente aproveitando os despojos que Díaz cria no lado contrário e que força as defesas a deixarem a outra ala desprotegida. O lateral Daniel Muñoz fez 11 golos em dois anos pelo Crystal Palace e continua a aparecer na zona certa. Deu a vitória contra o Congo e já marcara ao Uzbequistão. Aproveita os movimentos interiores do extremo direito Arias para subir e desequilibrar. Fica o aviso para o extremo canhoto português, que terá de compensar defensivamente.Já na frente há discussão se Luis Suárez deve permanecer no onze. O avançado fez 38 golos pelo Sporting em 2025/26, mais dez pela Colômbia, e chegou com estatuto para agarrar a titularidade. Ainda assim, há críticas. Não rematou uma única vez contra o Uzbequistão e só tentou um tiro contra a RD Congo. Nesse segundo jogo tocou apenas 14 vezes na bola. Enquanto no Sporting é um claro homem de área, e procura a profundidade da defesa rival, na Colômbia aparece mais a tabelar com os companheiros. Apesar de estar em branco, o selecionador defendeu-o. “Foi Suárez quem fixou os dois centrais para gerar espaços noutros lados e lutou por todas as bolas. Jogou muito de costas, mas também fez um grande jogo”, explicou Lorenzo após o 1-0 ante a RD Congo.Portugal ainda não tinha o apuramento definido na sexta-feira. Em caso de o Equador não ganhar à Alemanha (Grupo E), ou se o Japão vencesse a Suécia (Grupo F) e se no Paraguai-Austrália (Grupo D) não houvesse empate, os quatro pontos lusos bastariam para o apuramento como melhor terceiro classificado, até pela goleada ao Uzbequistão. Certo é que uma vitória sobre a Colômbia vale o primeiro lugar do grupo K, que indicaria sempre um embate com um dos oito melhores terceiro classificados (os emparelhamentos encaminham a que o adversário venha do Grupo L). Nesse caso, enfrentaria o Gana de Carlos Queiroz ou a Croácia. O único treinador português em prova tem quatro pontos, derrotou o Panamá e travou a Inglaterra (0-0), enquanto os croatas têm três. Se a Croácia vencer, seria o Gana o adversário do primeiro classificado do Grupo K. De outra forma, calharia em sorte a turma de Modric, vice-campeã mundial em 2018. O passado recente contra equipas da América do Sul em fases de grupos de Mundiais é positivo para a seleção nacional. Em 1966, Portugal venceu na fase de grupos o Brasil. Em 2010, empatou a zero com o Escrete. Em 2022, Portugal bateu o Uruguai, vingando da derrota mais marcante contra equipas sul-americanas quando, na Rússia 2018, caiu nos oitavos de final frente à formação de Cavani. Se a comparação se alastrar à América Central e do Norte, Portugal relembrará satisfeito o triunfo com o México em 2006, na caminhada para as meias-finais, mas também a derrota (2002) e o empate (2014) com os EUA, que ajudaram à eliminação da formação das Quinas ainda na fase de grupos. .James, o menino de ouro, entrega consulado cafetero a Luis Díaz.O primeiro jogo de um Mundial e a ambientação aos EUA já não afligem os nervos de Portugal.Portugal é primeiro se vencer Colômbia, mas apuramento para os 16 avos de final está quase garantido