Espanha e França discutem esta terça-feira, no Dallas Stadium, a partir das 20.00 horas de Portugal continental, a primeira vaga na final do Campeonato do Mundo de 2026. O encontro coloca frente a frente duas das seleções mais fortes da atualidade e dois modelos de jogo diferentes, mas igualmente capazes de conduzir à conquista do título mundial.De um lado estará a campeã europeia, uma equipa que procura controlar os encontros através da posse de bola, da circulação paciente e de uma pressão intensa logo após a perda. Do outro surgirá uma França mais física, mais vertical e particularmente perigosa quando encontra espaço para acelerar, apoiada num conjunto de avançados capaz de decidir um jogo a qualquer momento..O encontro realiza-se precisamente no dia 14 de julho, feriado nacional francês, e poderá colocar a França na terceira final consecutiva de um Campeonato do Mundo, depois do título conquistado em 2018 e da derrota diante da Argentina, no desempate por grandes penalidades, em 2022. A Espanha, por seu lado, tenta regressar ao jogo decisivo da competição pela primeira vez desde 2010, ano em que conquistou na África do Sul o único título mundial da sua história.O grande valor da Espanha encontra-se na capacidade de ocupar o campo adversário e retirar tempo e espaço ao oponente. Luis de la Fuente manteve a base da seleção campeã europeia, mas foi introduzindo pequenas alterações de acordo com as exigências dos jogos. A equipa pode organizar-se em 4x3x3 ou aproximar-se de um 4x2x3x1, dependendo da posição de Pedri, Dani Olmo e Fabián Ruiz.A Espanha apresenta, contudo, algumas fragilidades que a França procurará explorar. A subida dos laterais e a presença de muitos jogadores à frente da linha da bola podem deixar espaço nas costas da defesa. Também a ausência de um ponta de lança de referência absoluta pode criar dificuldades diante de defesas muito físicas. Mikel Oyarzabal oferece mobilidade, inteligência e capacidade de associação, mas não é um avançado que fixe constantemente os centrais. Do outro lado estará uma França que chega às meias-finais com seis vitórias em seis encontros e com uma demonstração de força ofensiva que a confirmou como uma das principais candidatas ao título. A formação comandada por Didier Deschamps venceu os três jogos da fase de grupos diante de Senegal, Iraque e Noruega, terminando no primeiro lugar do Grupo I.A França vale, acima de tudo, pela extraordinária qualidade e variedade do seu ataque. Mbappé continua a ser a maior ameaça, não apenas pelos golos, mas também pela forma como condiciona toda a estrutura defensiva adversária. Mais do que um confronto entre jogadores, esta meia-final será sobretudo um duelo entre ideias. A Espanha quer controlar. A França quer ferir.Os espanhóis procurarão instalar-se no meio-campo adversário através da posse, obrigando a França a defender durante largos períodos. Já a França deverá aceitar que terá menos bola durante vários momentos da partida.É um confronto entre duas escolas de futebol, dois modelos de construção coletiva e duas formas distintas de interpretar o jogo.Quando o árbitro apitar para o início do encontro, ficará a sensação de que o Campeonato do Mundo chegou demasiado cedo ao momento que muitos esperavam ver apenas no próximo domingo..A lei dos mais fortes: 36 anos depois as quatro primeiras do ranking FIFA jogam as meias-finais do Mundial