A Espanha chega ao Mundial de 2026 com a convicção de que poderá voltar a discutir os lugares cimeiros do futebol internacional. Depois de um período de transição marcado por resultados inconsistentes e eliminações prematuras após o fim da geração dourada que dominou o futebol europeu e mundial entre 2008 e 2012, a seleção espanhola reaparece agora com uma identidade mais consolidada, um grupo rejuvenescido e um estatuto reforçado pela conquista do Campeonato da Europa em 2024. A vitória sobre Inglaterra na final do Euro devolveu confiança ao futebol espanhol e confirmou o regresso da seleção ao lote das equipas mais competitivas do continente. No Campeonato do Mundo de 2026, a equipa orientada por Luis de la Fuente integra o Grupo H, juntamente com Uruguai, Cabo Verde e Arábia Saudita. Embora Espanha entre como favorita à qualificação, o grupo apresenta desafios distintos. O Uruguai surge como o principal rival na luta pelo primeiro lugar, sustentado pela tradição competitiva das seleções sul-americanas, enquanto Cabo Verde procura afirmar-se numa inédita participação mundialista. A Arábia Saudita, por sua vez, tentará repetir a capacidade de surpreender demonstrada em anteriores competições internacionais. Grande parte do entusiasmo em torno da seleção espanhola assenta numa geração de jogadores que devolveu energia e criatividade ao futebol do país. Nomes como Pedri, Gavi, Lamine Yamal e Nico Williams simbolizam uma nova vaga de talento tecnicamente evoluído, capaz de combinar intensidade competitiva com qualidade ofensiva. A experiência continua, contudo, a desempenhar um papel determinante numa equipa que encontra em Rodri uma das suas principais referências. O médio do Manchester City mantém-se como peça essencial no equilíbrio tático e na organização do jogo espanhol, funcionando como elo entre a juventude emergente e a maturidade competitiva do grupo. A preparação para o Mundial ficou igualmente marcada por decisões que alimentaram o debate em Espanha. Pela primeira vez na história da seleção em fases finais do Campeonato do Mundo, a convocatória não incluiu qualquer jogador do Real Madrid, uma opção assumida por Luis de la Fuente como resultado de critérios exclusivamente desportivos. O selecionador defendeu que a prioridade foi construir uma equipa equilibrada e unida, acima de rivalidades clubísticas, numa convocatória onde o Barcelona assume particular protagonismo. Em termos táticos, Espanha mantém traços históricos que continuam a definir a sua identidade competitiva. A circulação de bola e o controlo dos ritmos de jogo permanecem fundamentais, mas a atual versão da equipa apresenta maior verticalidade ofensiva e procura explorar com maior frequência a velocidade dos extremos e a profundidade no último terço do terreno. A combinação entre posse de bola e maior agressividade ofensiva tornou a seleção menos previsível do que em ciclos recentes. .Espanha, Bélgica, Áustria, Escócia e Suíça asseguram apuramento para o Mundial 2026