Rúben Germano, General Manager Revolut Portugal
Rúben Germano, General Manager Revolut PortugalLeonardo Negrão

Revolut prepara expansão no crédito e assume que "chegará lá" ao seu próprio ritmo

Segundo o líder da operação portuguesa, Ruben Germano, o próximo grande vetor de crescimento passa pela expansão faseada dos produtos de financiamento, como o crédito pessoal e a habitação.
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A Revolut consolidou o seu percurso de transformação de uma aplicação "monoproduto" direcionada para viagens num ecossistema financeiro integrado e resiliente.

O balanço do crescimento e o desenho da estratégia futura da plataforma foram detalhados num dos painéis da Money Conference (evento organizado pelo DN) que juntou os challengers na banca em Portugal, pelo general manager da instituição em Portugal, Ruben Germano, que defendeu que a vitória no setor financeiro pertencerá a quem conseguir apresentar a melhor proposta de ecossistema aos utilizadores.

"Foi esse o caminho que fizemos. Começou claramente com um monoproduto, muito associado a uma necessidade de travel, e depois a partir daí, quando ganhámos escala para ganhar eficiências nesse produto, começámos a diversificar, entrando com produtos de poupança, de investimentos, de fidelização, cripto", recordou o responsável, justificando a expansão da oferta com os resultados operacionais já visíveis.

Esta diversificação traduz-se hoje numa elevada resiliência perante eventuais riscos e disrupções de mercado. Atualmente, nenhuma área de negócio individual da Revolut representa mais de 23% do total da sua faturação, o que confere à marca uma proteção robusta que se complementa com a sua dispersão geográfica, permitindo compensar o abrandamento económico de um país com o dinamismo de outros mercados, assegurou.

Ruben Germano sublinhou que a estrutura de receitas da fintech inverte totalmente a lógica financeira da banca tradicional. "Nós temos um crescimento exponencial para fazer a nível de crédito. Temos um mix de 70/30, em que 70% são comissões e 30% são interest de juros, o que é muito diferente dos incumbentes tradicionais", detalhou o gestor, posicionando a empresa como uma clara challenger no setor.

O grande vetor de expansão futura da plataforma assenta na introdução e consolidação progressiva de produtos de financiamento. Depois de uma entrada bem-sucedida no segmento do crédito pessoal e do lançamento piloto de soluções de crédito à habitação em geografias selecionadas, a tecnológica prepara-se para expandir estas valências a novos mercados de forma faseada.

O líder da operação reconheceu, contudo, que o ritmo de implementação de soluções de crédito obedece a uma velocidade distinta dos serviços de pagamentos tradicionais, dada a assimetria de informação face aos operadores históricos.

"Produtos de crédito demoram mais tempo porque, como não somos incumbentes, não temos toda a informação dos clientes necessária para adaptar logo os modelos de risco de crédito rapidamente. Demora mais tempo, mas chegaremos lá. Esse é o objetivo", concluiu Ruben Germano.

A Money Conference regressa esta quinta-feira, 8 de outubro, no Hotel Farol, em Cascais, afirmando-se como o maior encontro anual dedicado ao setor financeiro em Portugal. Organizada pelo Diário de Notícias (DN) e Dinheiro Vivo (DV), a conferência deste ano reúne supervisores, líderes da banca, seguros, fundos investimento, tecnologia e empresas num momento em que o sistema financeiro atravessa uma transformação profunda.

Rúben Germano, General Manager Revolut Portugal
Pagamentos nacionais representam 57% das transações da Revolut em Portugal
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