A disponibilidade do investimento e a necessidade de melhores condições para o fazer foi frisada pela maioria dos banqueiros presentes
A disponibilidade do investimento e a necessidade de melhores condições para o fazer foi frisada pela maioria dos banqueiros presentesFOTO: Leonardo Negrão

Necessidade de "acabar com o estigma" do lucro e de apoio às empresas une líderes dos principais bancos

Debate do "Estado da Nação da Banca" juntou líderes dos sete principais bancos em Portugal, tendo discutido temas como a inteligência artificial e o mercado da habitação em Portugal.
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A necessidade de tornar Portugal um país mais "amigo das empresas" foi um dos principais tópicos que uniu, esta quinta-feira, 8 de outubro, os líderes dos sete maiores bancos no país, que se juntaram num debate do “Estado da Nação da Banca” na Money Conference 2026, uma iniciativa do Diário de Notícias e do Dinheiro Vivo.

O CEO do Millenium BCP, Miguel Maya, apelou a que o país tem de ter "a consciencia alargada de apoiar o tecido empresarial", não colocando em cima das empresas, por exemplo, "a componente social", que deve ser assegurada pelo Estado.

"Se criarmos essas condições para as empresas crescerem, os bancos vão estar disponíveis para apoiar", acrescentou.

João Paulo Oliveira e Costa, CEO do BPI, apelou que é preciso "um espírito renovador", deixando um elogio ao presidente do Banco Português de Fomento, Gonçalo Regalado, como um exemplo para que o país deixe "o espírito a mofo". "Nós podemos sempre fazer melhor", sublinhou apontando "a dimensão das empresas" ou "a competividade" como pontos a melhorar.

Já Isabel Guerreiro, no mesmo sentido, avisou para a possibilidade da "complacência". "Temos de continuar a melhorar", sublinhou a CEO do Santander Portugal, apontando também que não se deve "ter a vergonha de se dizer que se tem lucros" e de "falar sobre o tema da burocracia".

José Azevedo, CEO do Montepio, sublinhou que os bancos estão disponíveis para investir e estão cá "para conceder crédito" e para "fazer negócio". No mesmo sentido, Sérgio Frade, do Crédito Agrícola, afirmou que os bancos estão cá para "apoiar a economia".

"Agora, o investimento é feito por empresários", avisou porém, sublinhando que "a incerteza obviamente não contribui para essa vontade de investir".

Luís Pereira Coutinho, administrador executivo da Caixa Geral de Depósitos, ressalva um ponto a melhorar na economia portuguesa, nomeadamente a necessidade de fortalecer "setores de muito valor acrescentado" para aumentar a produtividade.

"O jardineiro que vai cortar a relva não tem a mesma produtividade de um engenheiro em Silicon Valley a desenvolver modelos de IA e novos chips", acrescentou, sublinhando que deve haver "uma visão estratégica" para desenvolver indústrias que não existem em Portugal.

Inteligência artificial: uma realidade de oportunidade e de desafios

As questões da inteligência artificial (IA) e sobre como os bancos podem abordar os avanços desta nova tecnologia foi outro dos principais tópicos debatidos pelos principais responsáveis da banca que estiveram presentes na Money Conference.

O CEO do Montepio, José Azevedo Pereira, avisou que, para os bancos, a IA "não é o futuro, já está a acontecer".

"Estamos a desenvolver um programa que é assente em agentes de ia generativa que atuam a vários níveis, a modelos preditivos e a dados em tempo real", garantiu o CEO, sublinhando que o que já foi desenvolvido neste tópico já lhes poupou "50 mil euros de trabalho".

Já o CEO do Millenium BCP, Miguel Maya, rejeita as visões catastrofistas com a IA e sublinha que a principal preocupação do bando é "melhorar o nível de serviço e de experiência ao cliente".

"Isto permite-nos sair de uma lógica em que eu tinha seis mil pessoas e três mil comerciais e que cada um tinha uma determinada perspectiva e um determinado conhecimento. Hoje temos a capacidade de por todo esse conhecimento da organização naquela pessoa para poder servir melhor o cliente", explicou, sublinhando que o grande desafio é "condensar isso tudo".

E este processo de condensação implica que os bancos "repensem as suas estruturas". "Nós neste momento temos um programa de quase seis mil pessoas envolvidas a ganharem competências na área da inteligência artificial", acrescentou.

O administrador da Caixa Geral de Depósitos, Luís Pereira Coutinho, frisou que esta tecnologia veio trazer "mais capacidades na gestão do cliente, mais híper personalização e melhores modelos de risco", concordando com o responsável do BCP que há um potencial de aumentar a "eficiência processual" com a IA.

"Nós ainda temos gente no banco que faz tarefas que não interessam a ninguém, nem aos próprios", afirmou. "Este balanço entre as novas tecnologias e a presença física e forte no território inteiro é absolutamente fundamental e vai-se manter", acrescentou.

Questionado sobre os eventuais riscos de cibersegurança, Mark Borne, CEO do Novo Banco, apontou que abordá-los é "uma grande prioridade" e a necessidade de verificar esses riscos no sistema está cada vez mais frequente.

"A procura de vulnerabilidades, que era um processo trimestral ou anual, passou para mensal, semanal, diário e até em tempo real", explicou Mark Bourne, avançando que os bancos têm de "se defender" de uma "corrida às armas" que ocorre "em tempo real".

"Acho que não devemos ser maníacos e dizer que este é um dos únicos riscos, mas este é um risco prioritário. E temos de mudar a maneira, a rapidez e o ritmo que protegemos o negócio e trabalhar, a nível da sociedade, para regular", acrescentou.

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