Banco do Fomento "vai ter em 2027 um impacto superior a 10 mil milhões de euros"
O ano de 2027 vai marcar a passagem do Banco de Fomento para um “banco soberano de corpo completo”, com um impacto superior a 10 mil milhões de euros na economia e apoiando cerca de 25 mil empresas, disse hoje o presidente do banco, Gonçalo Regalado.
O responsável do BdF – que falava na Money Conference, organizada pelo DN e pelo Dinheiro Vivo – sublinhou que apoio nessa dimensão atira o banco português para a disputa da liderança europeia em impacto nos respetivos países.
“Em 2027, aquilo que é a nossa ambição é chegar e ultrapassar pela primeira vez os 10 mil milhões de euros de impacto, ou seja, mais de 3% do PIB, o que colocará o Banco Português de Fomento a disputar a liderança europeia de impacto em cada um dos seus países. E, portanto, com aquilo que será apresentado hoje em sede de Orçamento de Estado, nós teremos margem para fazer isto”, disse.
Gonçalo Regalado salientou que, em outubro, o Banco do Fomento já fez o mesmo do que foi feito em 2025. “Portanto, em nove meses e pouco, fizemos o mesmo que fizemos em 12 meses do ano passado. E, portanto, temos a ambição de chegar este ano aos 8 mil milhões de euros em apoios. Em cima disso, vamos chegar a muito mais empresas”, salientou.
No ano passado, o BdF apoiou 17 mil empresas. “Este ano já vamos com 21.000 empresas. Acreditamos que estaremos muito próximo das 25.000 empresas [no final do ano] e, portanto, o banco passará a ser um banco que deixará de ser um banco instrumental de apoio, mas vai ser um banco de corpo completo, um Banco Soberano de Corpo Completo”.
O banco terá as garantias que “vão ser reforçadas ainda este mês, com garantias para dois setores muito importantes: um de habitação e outro da aceleração da execução de investimentos europeus”.
“Temos também cada vez mais próximo o lançamento de um fundo de fundos em Portugal, que será um novo instrumento para instrumentos de investimento de capital nas empresas, como as sociedades verdes e, portanto, com sociedades de capital de investimento”, adiantou.
O presidente do Banco de Fomento recordou ainda “duas grandes novidades do ano”. A primeira é “a integração da agência de exportação, a antiga COSEC, dentro do âmbito deste documento, portanto, vamos ter reforçadas garantias para os créditos à exportação no próximo ano”. “E já estamos a receber mais de 100 candidaturas nestas primeiras semanas”.
Por outro lado, o BdF está a integrar ainda este trimestre a antiga SOFID, que “basicamente é o instrumento que Portugal tem para apoiar os empresários de Portugal além fronteiras”.
“Falta investimento em Portugal”
O responsável do BdF notou ainda os níveis baixos de investimento em Portugal, “praticamente em todos os sectores”.
“E falta investimento porquê? Porque as condições que são dadas aos empresários para que eles possam investir não têm sido as apropriadas. E como é que nós vemos isto? Os últimos indicadores que nós vemos nos depósitos das empresas atingiram um valor recorde de 81 mil milhões de euros em agosto, o valor mais alto desde o 25 de abril. O crédito às empresas continua estável e relativamente flat: está nos 77 mil milhões de euros hoje”, disse.
Ou seja, há hoje mais 4 mil milhões de euros em depósitos das empresas do que de crédito das empresas.
“Portanto, o que é que nós precisamos de fazer? Precisamos de mobilizar as empresas que têm excesso de depósitos a investir. As empresas têm muito mais retorno se investirem e se multiplicarem o seu valor”, concluiu.
“E quando eu vejo os nossos concorrentes naturais, eu vejo o que se está a passar na Praça do Sol (em Espanha). O que se está a passar em França, o que se está a passar em Itália, o que se está a passar na Alemanha. E pergunto: mas há algum país melhor para investir em Portugal, que tem estabilidade, tem condições financeiras robustas, tem orçamentos equilibrados, tem superavits contínuos, tem capacidade de redução da dívida, tem capacidade de investimento como multiplicação do valor”.
