A “exuberância irracional no crédito” não está presente em Portugal
A “exuberância irracional no crédito” não está presente em Portugal, um país bastante mais bem preparado hoje do que há 15 anos, afirmou esta quinta-feira António Payan Martins, sócio de Corporate e M&A na sociedade de advogados CMS Portugal.
“Obviamente, a minha experiência pessoal diz que em Portugal os financiadores privados são limitados em número, têm um determinado perfil e, portanto, aquela exuberância irracional que nós vemos em alguns mercados não está presente em Portugal. Não existe, não está presente em Portugal”, disse o responsável da CMS na conferência Money Conference, organizada pelo DN e Dinheiro Vivo.
Sobre a ameaça da crise mundial e a perspectiva de um novo ciclo, o Payan Martins afirmou que o setor financeiro português “apresenta um nível de solidez muito, muito grande”. “Temos uma banca muito mais capitalizada, muito mais estruturada, das mais capitalizadas a nível europeu”, depois do “processo traumático” dos últimos dez anos.
Mas existe hoje “um ecossistema em torno do sistema financeiro que não existia em 2015”, todo um ecossistema de entidades financeiras que rodeiam o sistema financeiro.
No painel dedicado ao tema “Do crédito ao incumprimento: Como antecipar um novo ciclo?” participou também Gustavo Guimarães, partner da Apollo Global Management, que salientou a necessidade de os governos serem rápidos a identificar as medidas de apoio necessárias.
“Os Governos que foram mais a rápidos a identificar as medidas de apoio necessárias são os que vencerão e a lidar com a grande diferença entre os Estados Unidos e a Europa, e mesmo dentro da Europa. O que nós temos de pensar no nosso país é quais são as medidas que podem sustentar de forma natural os setores todos”.
“Além da discussão política de muito de curto prazo eleitoral é também preciso pensar setorialmente o que é que é necessário apoiar. Fala se muito disso, mas as decisões têm que ser mais rápidas”, sublinhou.
