Álvaro Santos Pereira: "Há margem para subir as taxas dos depositantes"
"Há margem para podermos subir as taxas de depositantes" e "há margem para aumentar os incentivos à poupança", afirmou esta quinta-feira, 8 de outubro, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, na sessão de abertura da Money Conference 2026, uma iniciativa do Diário de Notícias e do Dinheiro Vivo.
O governador sublinhou que "a inflação nos últimos anos tem estado sistematicamente acima das taxas de juros de depósitos a prazo" e isso significa que "há perda de poder de compra para quem utiliza este tipo de instrumentos financeiros".
Para Álvaro Santos Pereira, esta questão é relevante, porque "é importante haver iniciativas à poupança". Como afirmou, "nós queremos que as nossas empresas invistam mais, queremos que as nossas famílias possam poupar mais" para depois "conceder mais possibilidades de termos mais investimento na economia".
"É fundamental melhorar as condições de poupança do país" e "remunerarmos melhor estas condições de poupança", sublinhou ainda.
O governador adiantou que em breve haverá novidades nesta matéria. "Os supervisores financeiros estão a trabalhar nesse assunto" e "teremos novidades em breve sobre essa matéria também".
Na Money Conference 2026, Álvaro Santos Pereira elencou também os desafios que a banca enfrenta, desde a tecnologia, concorrência, combate à fraude, cibersegurança, regulação aos novos conceitos de banca e de cliente bancário.
"A tecnologia está a mudar a forma como os bancos trabalham, está a mudar a forma como os clientes se relacionam com os bancos, está a mudar a concorrência, está a mudar a natureza dos riscos e, em alguns casos, está até a mudar a fronteira entre aquilo que consideramos a atividade bancária e aquilo que acontece fora do sistema bancário tradicional", afirmou.
Os clientes bancários são mais exigentes e esperam serviços totalmente customizados e mais digitais. Nesse sentido, os "bancos têm de ser capazes de oferecer interações personalizadas e atempadas, um caminho que tem vindo a ser trilhado", disse.
Álvaro Santos Pereira frisou que "é importante também simplificar os canais digitais e manter o apoio humano nas decisões mais complexas, bem como adequar o serviço às necessidades do cliente". E "fidelizar clientes por via da diferenciação e não através da complexidade".
Outro desafio importante é o combate à fraude, salientou. "A literacia financeira e a literacia financeira digital são a primeira linha de proteção e, portanto, temos de investir muito mais nessa área", defendeu.
"O Banco de Portugal está a fazê-lo e certamente todos nós achamos que isso é importante. É importante também, a nível do combate à fraude, ajudar os clientes a reconhecer tentativas de fraude".
Álvaro Santos Pereira lembrou que "já utilizaram a minha imagem várias vezes para tentar vender produtos financeiros ou criptos". Por isso, "se virem algum tipo de imagem do governador do Banco de Portugal ou de alguém do Banco de Portugal a vender produtos financeiros, essas imagens são falsas. É claríssimo. Nenhum regulador financeiro vai algum dia estar a advogar a venda de produtos financeiros."

