O presidente da Câmara de Lisboa assegurou esta terça-feira, 24 de fevereiro, a proteção das famílias afetadas pela expropriação de um prédio em Alcântara no âmbito da expansão do Metro, mas ressalvou que a responsabilidade legal é da empresa de transporte público.“A Câmara Municipal vai proteger estas famílias. A responsabilidade pode ser do Metro, mas nós vamos protegê-las, isso não tenham a menor dúvida. E se há aqui alguma confusão ou alguma dúvida, as famílias que venham falar comigo. Nós vamos proteger essas famílias. Não tenham dúvidas”, afirmou o presidente do executivo camarário, Carlos Moedas (PSD).O autarca falava na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, em resposta a questões de vários deputados, inclusive de PS, PCP e PEV, no âmbito da apresentação do trabalho do município entre dezembro e janeiro.O deputado do PS Mauro Santos, presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, começou por lamentar a omissão de informação por parte de Carlos Moedas sobre o processo de expropriação do prédio em Alcântara, propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito da construção da futura estação de metro em Alcântara, adiantando que essa expropriação “não está sequer diretamente ligada à construção da estação em si, mas tem a ver com o plano de mobilidade circundante à mesma”.“Estamos a falar de oito famílias, oito famílias que residem em habitação municipal há décadas, entre elas pessoas com mais de 90 anos, que ali construíram as suas vidas, as suas rotinas e as suas memórias”, indicou o autarca de Alcântara.Referindo que Junta de Freguesia tem vindo a alertar o vereador do Urbanismo e da Habitação, Vasco Moreira Rato (independente indicado pelo PSD), sobre a “necessidade urgente” de um acompanhamento “sério, transparente e humanista” neste processo de expropriação, Mauro Santos reforçou que esse aviso foi feito “reiteradamente”, mas, “infelizmente, sem qualquer efeito prático”.“Até sexta-feira passada, a única presença visível da Câmara foi no acompanhamento das visitas do Metro ao prédio, visitas onde os moradores relatam terem sido pressionados a aceitar propostas de indemnização e, mais grave que isso, confrontados com a ameaça de terem de abandonar as suas casas sem qualquer solução habitacional concreta assegurada”, expôs o socialista, defendendo que “nenhuma obra pública, por mais estratégica que seja, deve ser construída à custa da vulnerabilidade dos cidadãos”.Depois de o tema ser abordado pela comunicação social, a Câmara teve reuniões com moradores na segunda-feira e esta terça-feira, indicou Mauro Santos, revelando que “foi-lhes dito que não serão realojadas, que a Câmara não sabia de nada até ao Tribunal decretar a expropriação e que a Câmara não tem responsabilidade nenhuma para com estas famílias, que nada vai fazer e que estão entregues a si mesmas na discussão com o Metro”.“A Câmara não sabe se vai receber um, três, cinco milhões por este edifício. As pessoas não sabem onde vão estar a morar daqui a dois meses. Quem achar que esta situação é comparável não devia fazer parte de um executivo camarário em Lisboa”, defendeu.O vereador Vasco Moreira Rato confirmou que os moradores foram recebidos na Câmara Municipal de Lisboa, mas assegurou que o que foi dito “não tem nada a ver” com o que Mauro Santos relatou.Ressalvando que a responsabilidade pela expropriação é do Metro, empresa de transporte público que “não pode ser ilibada” neste processo, Vasco Moreira Rato reforçou que tal não invalida que a Câmara não assegure o apoio necessário às famílias afetadas, também contando com a Junta de Freguesia de Alcântara.Em resposta a questões das deputadas do PCP Sofia Lisboa e do PEV Cláudia Madeira, o presidente da Câmara sublinhou que “as famílias sabem que vão ser protegidas”, reforçando que a responsabilidade é do Metro, devido à expansão da rede, que “vai ser uma grande obra na cidade, responsabilidade do Governo central”, que será fiscalizada pelos órgãos municipais.“O Metro, infelizmente, não é responsabilidade municipal. O Metro depende do Estado central, mas vamos estar aqui para escrutinar e para exigir ao Governo central aquilo que é necessário. Se o Governo não fizer, a Câmara Municipal protege”, afirmou Carlos Moedas.