Líder do BE defende que declarações de PR condicionam democracia
LUSA/TIAGO PETINGA

Líder do BE defende que declarações de PR condicionam democracia

Mariana Mortágua acusou Marcelo Rebelo de Sousa de intervir na discussão do Orçamento do Estado "das formas mais diversas" e de tentar "condicionar o resultado final".
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A líder do BE, Mariana Mortágua, considerou hoje que as declarações do Presidente da República sobre a possibilidade de existirem eleições, caso o Orçamento do Estado chumbar, condicionam e contorcem a democracia.

"As eleições não podem nunca ser usadas como uma ameaça sobre o povo", afirmou Mariana Mortágua, à margem de uma visita a aldeias que ficaram cercadas pelos incêndios no concelho de Águeda.

Questionada sobre as declarações do Presidente da República, que no sábado defendeu a necessidade do programa do Governo ser flexível, a líder do BE considerou que "o único efeito que tem é condicionar e contorcer a democracia".

"Esta ideia de que se um orçamento chumbar o país vai para eleições, foi uma invenção do Presidente da República há uns anos e que não tem qualquer cabimento constitucional, cabimento democrático e cria uma pressão e chantagem permanente sobre os partidos", referiu.

Mariana Mortágua acusou também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de intervir na discussão do Orçamento do Estado "das formas mais diversas" e de tentar "condicionar o resultado final".

As críticas da bloquista estenderam-se também ao Partido Socialista que, considerou, deve esclarecer as "ambiguidades que manteve relativamente ao orçamento".

"Era importante que houvesse clareza porque um partido que viabiliza um orçamento está a viabilizar uma governação e se está a viabilizar uma governação não é oposição nem alternativa a essa governação", observou, defendendo que o país precisa de uma alternativa, bem como de "alterações profundas" em diversas áreas.

"Há um país real ao qual é preciso dar resposta e este orçamento e a política não dão resposta a esse país real", considerou.

Questionada se o único cenário que vislumbrava era o chumbo do Orçamento do Estado, Mariana Mortágua disse não lhe caber fazer futurologia, mas considerou a política deste Governo má em áreas como a saúde, habitação ou floresta.

"Por isso para nós é tão claro que o orçamento não pode ir para a frente", acrescentou.

Um dia depois do encontro entre o primeiro-ministro e o secretário-geral do PS sobre o OE2025, o Presidente da República afirmou, em declarações transmitidas pela RTP, que o "Governo, atento ao interesse nacional, deve perceber que o interesse nacional é mais importante do que o programa do Governo e não ser inflexível".

O chefe de Estado sublinhou que, "sobretudo num Governo minoritário", como é o executivo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, "o programa do Governo tem de se tornar flexível", estendendo o conselho ao líder da oposição que, aconselhou, "tem de fazer um esforço em relação aos princípios que seriam ideais".

"Se não fazem um esforço, sobra a responsabilidade para quem desempatar? Para o terceiro partido, quem vai desempatar é o terceiro partido, se o primeiro e o segundo não se entendem", afirmou, numa referência ao Chega.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que "se esse terceiro partido decidir não decidir", então a responsabilidade "sobra para o Presidente".

"Ora, a última coisa que devia acontecer é essa, é fundamental que fosse no parlamento, que fosse pela iniciativa das principais forças políticas", disse.

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