José Luís Carneiro foi derrotado nas eleições do PS com 37% dos votos. Pedro Nuno Santos foi eleito secretário-geral do partido com 62% dos votos.
José Luís Carneiro foi derrotado nas eleições do PS com 37% dos votos. Pedro Nuno Santos foi eleito secretário-geral do partido com 62% dos votos.Álvaro Isidoro/Global Imagens

José Luís Carneiro quer partido “unido e pujante” à volta de Pedro Nuno Santos

Nas vésperas do congresso do PS, ninguém dentro do partido confirma se haverá um acordo para um programa conjunto, que integre ideias das listas dos dois ex-candidatos a secretário-geral. Para já, o apelo do candidato derrotado é no sentido de centrar as atenções no líder.
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Ainda que já haja acordo para haver listas unitárias para eleger os órgãos do partido, entre o atual secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, e o candidato derrotado nas eleições diretas para a liderança, José Luís Carneiro, no que diz respeito ao programa eleitoral as coisas estão mergulhadas em silêncio. “Não vamos contribuir para a discussão na praça pública, muito honestamente”, revelou ao DN fonte da moção de Carneiro, depois de questionada sobre se Pedro Nuno está disponível para absorver propostas do seu ex-concorrente.


A notícia de que Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro se tinham entendido no sentido de fazer listas únicas para eleger os membros da Comissão Nacional e da Comissão Política, no congresso do partido, que decorre no próximo fim de semana, foi avançada ontem pelo jornal Público. O diário também adiantou que, “no acordo estabelecido” entre os dois, ficou “decidido que o programa eleitoral do PS vai incluir conteúdos que integravam a moção de estratégia global de José Luís Carneiro”. No entanto, este último ponto parece não estar totalmente esclarecido entre as fileiras socialistas, dando lugar a um silêncio turvo. “As coisas estão a correr bem e será tudo, como se costuma dizer, resolvido internamente até sexta, que é quando começa o congresso”, sustenta a fonte socialista.


Um dos temas quentes que pode condicionar estes entendimentos é o chamado “fundo Medina”, que o Público lembrou no texto como sendo uma medida prevista no Orçamento do Estado para 2024 que seria financiada “pelos excedentes orçamentais , de forma a garantir as verbas para o investimento público necessário a partir do fim de 2026, ano em que irá acabar o Plano de Recuperação e Resiliência”. Pedro Nuno Santos não prevê esta medida na sua moção de estratégia global, mas José Luís Carneiro não abdica dela, o que pode configurar antagonismos.


Para já, sobre este tema em concreto, o silêncio ficou mais estridente para a fonte socialista. “José Luís Carneiro deu indicação aos seus apoiantes que quer o partido unido - a palavra é mesmo esta - e pujante à volta de Pedro Nuno Santos e do programa que vai ser apresentado para o país”, insistiu. Apesar de também não querer revelar antes do congresso que nomes serão escolhidos, entre os 35% que são da responsabilidade de José Luís Carneiro, no âmbito do acordo estabelecido, os socialistas preferem desviar as atenções para os conteúdos. “Neste momento, mais importante que discutir os lugares é discutir as ideias”, sustenta a fonte do PS, para quem, por outro lado, os conteúdos ainda não estão fechados, mas “até agora tem sido respeitada a diversidade das ideias”. Nada disto, porém, garante que as ideias da moção de José Luís Carneiro serão absorvidas pelo programa eleitoral final. “As coisas têm chegado todas a bom porto”, mantém a fonte, argumentando que “as conversas têm corrido bem”, apesar de haver “uma ou outra discussãozinha. Isso haverá sempre. Qualquer pessoa que diga o contrário está a enganar, mas está tudo a chegar sempre a bom porto”, adianta. No fundo, “são coisas mínimas que são ultrapassáveis. Afinal estamos a falar de duas listas que foram votadas”, conclui.


Do lado de Pedro Nuno Santos, parece que os entendimentos a nível programático ainda estão menos nítidos. Questionada pelo DN sobre se confirma que não haverá um programa eleitoral do PS que inclua conteúdos que integravam a moção de José Luís Carneiro, Alexandra Leitão, que coordenou a moção de Pedro Nuno Santos, manteve-se em silêncio. 


De acordo com o Público, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Moz Caldas, que coordenou a estratégia de José Luís Carneiro, irá juntar-se a Alexandra Leitão para cumprir o propósito de tecer um programa que integre as ideias do candidato derrotado na corrida à liderança do PS. A concretizar-se, para já, os caminhos que conduzem a esse fim estão sinuosos.


O que já se sabe é que a afinação entre as duas listas concretiza-se com um acordo que, pelo menos, permite a José Luís Carneiro escolher 35% dos nomes que vão integrar as listas dos proponentes apontados para os órgãos socialistas, nomeadamente a Comissão Nacional, a Comissão Nacional de Jurisdição e a Comissão Nacional de Fiscalização Económica e Financeira. 


Nada disto surpreende, na medida em que a unidade foi um argumento utilizado logo na noite em que Pedro Nuno Santos foi eleito secretário-geral do PS. A16 dezembro, tanto o novo líder, como o candidato derrotado, fizeram discursos com notas de abertura que projetavam uma coesão.


Pedro Nuno Santos afirmou que contava com José Luís Carneiro, assim como com a participação do ex-secretário-geral, António Costa, na campanha para as eleições legislativas. Por sua vez, José Luís Carneiro, no discurso em que assumiu a derrota nas eleições internas do PS, acentuou que “estava disponível para a unidade, com respeito pela pluralidade interna”.


“Cabe à nova liderança construir essa unidade”, acrescentou nesse discurso que proferiu na noite de 16 de dezembro.
Ainda no que respeita ao calendário para a eleição dos futuros órgãos nacionais do PS, ao contrário do que tem sido habitual, desta vez, Pedro Nuno Santos considera vantajoso que a Comissão Política Nacional, o órgão de direção alargada, seja eleita já no próximo domingo, no encerramento do congresso, imediatamente após a eleição e constituição da Comissão Nacional.


Assim, para a primeira reunião da Comissão Nacional do PS após o congresso deste fim de semana, ficarão as eleições dos órgãos de direção restrita: O Secretariado Nacional e a Comissão Permanente. Em relação a estes órgãos, desconhece-se se Pedro Nuno Santos optará por convidar elementos que apoiaram José Luís Carneiro.


No passado dia 16, nas eleições diretas para a liderança deste partido, Pedro Nuno Santos foi eleito secretário-geral do PS, com 24.080 votos, correspondentes a 62%. José Luís Carneiro foi o segundo mais votado, com 14.868 votos, correspondentes a 36%, e Daniel Adrião ficou em terceiro lugar, com 382 votos, 1%.
A candidatura de Pedro Nuno Santos elegeu também a maioria dos delegados ao Congresso do PS, 909, seguindo-se a de José Luís Carneiro, que elegeu 407, enquanto a de Daniel Adrião elegeu cinco delegados, de acordo com o presidente da COC, que referiu que estes são resultados provisórios.


Nas negociações entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro, a equipa do atual líder, num momento inicial, apenas pretendeu atribuir à linha do ministro da Administração Interna cerca de 31% do total de membros nas comissões Nacional e Política do PS, partindo da ideia de que será este o peso que os delegados afetos a Carneiro irão ter no congresso deste fim de semana na Feira Internacional de Lisboa (FIL).


A candidatura de José Luís Carneiro, pelo contrário, contrapôs que a votação no atual ministro chegou quase aos 37% e que, habitualmente, nos congressos, as listas das minorias conseguem subir em relação ao seu peso em termos de delegados nas votações para a Comissão Nacional.
O acordo entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro acabou por fechar nos 35%. Com Lusa
vitor.cordeiro@dn.pt

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