O presidente da Ucrânia terá dado instruções ao corpo diplomático para se fazer uma aproximação à China. O objetivo do aprofundamento das relações é impedir que Pequim passe a apoiar Moscovo. Este desenvolvimento dá-se durante um período de intensos ataques aéreos de parte a parte, aumentando a lista de vítimas mortais e obrigando ao regresso do racionamento de combustível no país invasor.Volodymyr Zelensky visitou mais de cinco dezenas de países desde que tomou posse em 2019, mas não tem o carimbo da China no passaporte. Ao delinear as prioridades ao nível diplomático, perante os embaixadores, o presidente ucraniano destacou a China, conta o site RBC-Ukraine. “Precisamos procurar o diálogo com a China se não quisermos que a China apoie totalmente os russos. Se esta vir o seu futuro na Rússia e não considerar outros países, então tudo isto precisa ser construído”, afirmou Zelensky. Há dias, disse ter recebido informações de que Pequim pediu para Moscovo não fazer uso de armas nucleares na Ucrânia.A China mantém uma atitude dúplice perante a guerra na Ucrânia. Oficialmente, afirma defender o respeito pela soberania e integridade territorial, o cessar-fogo e negociações, mas também que as questões legítimas de segurança devem ser atendidas e que não deve haver lugar a sanções económicas. Ao longo dos mais de quatro anos de guerra, Pequim elevou o nível das relações com Moscovo para parceria estratégica, passou a importar muito mais combustível russo e, apesar de se ter abstido de fornecer armamento, é um mercado essencial para a Rússia em bens e tecnologias de dupla utilização. Ao nível diplomático, a China apresentou uma proposta de paz de 12 pontos (2023) e outra em conjunto com o Brasil (2024), mas Kiev descartou estas iniciativas. A última delas foi classificada de “destrutiva” por Zelensky, uma vez que não considerava o regresso dos territórios ocupados à Ucrânia. No entanto, há menos de duas semanas, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que o seu país está agora a reconsiderar o plano sino-brasileiro. Em declarações a jornalistas da América Latina, entre os quais da Gazeta do Povo, Heorhii Tykhyi fez transparecer que a ideia central é trazer os líderes de ambos os países, Xi Jinping e Lula da Silva, para a frente diplomática. Em concreto, que sirvam de mediadores junto de Vladimir Putin para se alcançar um cessar-fogo. A mudança relativa ao Brasil deu-se com a reunião "positiva" mantida entre Zelensky e Lula, à margem da cimeira do G7, em junho. Agora, segundo Kiev, o presidente brasileiro “está a adotar uma política de neutralidade”. No terreno, bombardeamentos russos fizeram pelo menos cinco mortos em três regiões, enquanto na Cimeira ocupada e em Krasnodar, ataques ucranianos terão matado 11 pessoas. .Ucrânia: Ataque russo com mísseis balísticos mata nove pessoas em Kiev.Ucrânia e Irão, as guerras sobrepostas em análise na Casa Branca com Zelensky e Netanyahu.Ucrânia regista o maior número de vítimas civis desde o início da guerra