Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano
Volodymyr Zelensky, presidente ucranianoPresidência da Ucrânia

Zelensky diz ter convidado emissários dos EUA para retomar negociações com Moscovo

Uma nova ronda de conversações prevista para Abu Dhabi foi cancelada por tempo indeterminado após a escalada militar no Médio Oriente, desencadeada em 28 de fevereiro.
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O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou ter convidado para Kiev os emissários americanos para retomar as negociações com Moscovo sobre o conflito na Ucrânia, suspensas desde o início da guerra no Médio Oriente.

“Convidei a delegação norte-americana encarregada das negociações para Kiev. A delegação fará tudo o que estiver ao seu alcance, nas condições atuais, durante a guerra com o Irão, para vir a Kiev”, declarou o Presidente ucraniano, em declarações a jornalistas.

“É uma opção alternativa para uma reunião trilateral a nível dos grupos técnicos. O grupo americano pode vir até nós e, depois de nos visitar, seguir para Moscovo”, acrescentou.

Em 20 de março, Zelensky pediu a Washington um calendário concreto para a próxima ronda de negociações trilaterais com a Rússia, suspensas devido à guerra no Médio Oriente.

“Queremos datas claras — pelo menos aproximadas”, afirmou Zelensky aos jornalistas, reconhecendo que o conflito no Médio Oriente tem contribuído para o adiamento das conversações.

As negociações entre Kiev e Moscovo, mediadas por Washington, têm decorrido nos últimos meses, mas uma nova ronda prevista para Abu Dhabi foi cancelada por tempo indeterminado após a escalada militar no Médio Oriente, desencadeada em 28 de fevereiro pela ofensiva em grande escala dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irão.

Segundo o chefe de Estado ucraniano, as rondas anteriores permitiram alguns avanços, nomeadamente no entendimento sobre mecanismos de monitorização de um eventual cessar-fogo.

“Os três lados concordaram essencialmente sobre como monitorizar o cessar-fogo assim que houver vontade política. Por enquanto, não há vontade política”, disse Zelensky, lembrando que enviados ucranianos vão reunir-se no sábado com negociadores norte-americanos, integrando o grupo de diálogo político entre as partes.

O Presidente ucraniano alertou ainda para os riscos do levantamento parcial de sanções dos Estados Unidos ao setor energético russo, classificando a medida como “perigosa”.

Segundo Zelensky, a flexibilização das sanções poderá traduzir-se em mais receitas para Moscovo e, consequentemente, em maior capacidade militar no terreno.

Washington anunciou recentemente a suspensão temporária de algumas sanções ao petróleo russo, impostas após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, com o objetivo de conter a subida dos preços energéticos no contexto da guerra no Médio Oriente.

Em 29 de março, um assessor para política externa do Kremlin disse que os Estados Unidos apresentaram ideias e propostas interessantes para solucionar a guerra com a Ucrânia, sem terem sido postas em prática até ao momento.

“Os Estados Unidos apresentaram várias ideias e propostas interessantes, e diria inclusivamente úteis, mas até agora não foram implementadas”, disse à televisão pública russa o assessor do Kremlin Yuri Ushakov, citado pela agência de notícias EFE.

Na entrevista divulgada, Ushakov disse que Moscovo apelou a Washington para que exerça pressão sobre Kiev para que aceite implementar as propostas dos EUA.

Especificamente, referiu os acordos alcançados entre os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos no Alasca, em 2025, para argumentar que a sua implementação é “o que é necessário agora”.

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