O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China tentou esvaziar a questão levantada na véspera pelo presidente ucraniano na sequência da captura de dois cidadãos chineses após estes terem estado em combate do lado russo numa aldeia da região ucraniana de Donetsk. Mas Volodymyr Zelensky voltou à carga, tendo acusado o regime comunista de estar ao corrente da situação e de afirmar que há “muitos, muitos mais” compatriotas de Xi Jinping nas fileiras russas.Confrontado com as declarações do líder ucraniano sobre a participação chinesa na guerra e da convocatória do seu diplomata em Kiev para explicar o que faziam seis chineses em território ucraniano ao lado do invasor, o porta-voz da diplomacia chinesa disse, por um lado, que se estava “a verificar com a Ucrânia esta questão”, mas, por outro, que era um “tipo de afirmação totalmente infundada”. .Kiev implica Pequim na guerra após captura de soldados chineses. Isto porque, disse Lin Jian, “o Governo chinês sempre pediu aos seus cidadãos que se mantivessem afastados das zonas de conflito armado, que evitassem envolver-se em conflitos armados sob qualquer forma e, em particular, que evitassem participar nas operações militares de qualquer parte”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros argumentou ainda que “a posição da China sobre a crise ucraniana é clara e inequívoca” - uma expressão que, só por si, é reveladora da ambiguidade de Pequim. Oficialmente é uma parte neutra, mas tem sido um aliado político e económico cada vez mais robusto à medida que a guerra prossegue.“A parte ucraniana deve apreciar plenamente os esforços e o papel construtivo da China na procura de uma solução política para a crise ucraniana”, disse ainda Lin Jian.Mas o presidente ucraniano voltou a terreiro para afirmar que as autoridades chinesas sabem que cidadãos seus estão a ser, ou foram, recrutados por Moscovo e que neste momento já foram identificados 155, mas que existem “muitos, muito mais”, embora se desconheça, de momento, o que os levou a lutar contra a Ucrânia.“Constatamos, graças aos dados e pormenores de que dispomos, que a China tinha conhecimento. Não estamos a dizer que alguém deu uma ordem, não temos essa informação”, afirmou, enquanto os serviços de segurança ucranianos (SBU) divulgaram os nomes dos chineses na sequência do primeiro interrogatório. Zelensky acusou a Rússia de “arrastar outros países para a guerra” e que “agora estão a arrastar a China”. Por fim, disse aos jornalistas que Kiev está disposta a trocar os prisioneiros chineses por soldados ucranianos detidos pela Rússia..União Europeia e Estados Unidos dizem que a China é “o principal facilitador da guerra” ao fornecer à Rússia 80% dos bens de dupla utilização.. Na terça-feira, Zelensky incitou a Europa e os Estados Unidos a reagirem à presença de chineses em combate. A alta representante da União Europeia ressalvou que, “evidentemente”, o facto de chineses terem sido capturados em combate “não significa que o Exército chinês esteja envolvido”. No entanto, Kaja Kallas disse ser claro que “a China é o principal facilitador da guerra da Rússia”. E prosseguiu: “Sem o apoio chinês, a Rússia não seria capaz de travar uma guerra com a dimensão que está a travar. Vemos que 80% dos bens de dupla utilização estão efetivamente a entrar na Rússia através da China. É evidente que se a China quisesse efetivamente pôr termo ao apoio, isso teria um impacto.” Na véspera, a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano usou uma linha de argumento semelhante, tendo Tammy Bruce classificado a notícia de “preocupante”.