Um grupo de vítimas de Jeffrey Epstein juntou-se esta terça-feira (10 de fevereiro) ao líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, para apresentar a “Lei da Virginia”, batizada em homenagem a Virginia Giuffre, que teve a coragem de denunciar o pedófilo e o então príncipe André. A proposta de lei visa remover os limites de tempo que existem para as vítimas de abuso sexual poderem processar os abusadores e pedirem uma indemnização nos tribunais civis (em causa não está o processo criminal). “A Justiça não deve caducar”, disse Schumer na apresentação do projeto, no Capitólio, que para ser lei tem que ter uma maioria no Congresso e no Senado. “A cura não segue o ritmo do relógio do governo”, acrescentou num evento emotivo, ao lado das vítimas e das famílias.A ideia é acabar com as barreiras, que segundo o senador, “mantiveram os sobreviventes de violência sexual afastados da justiça por demasiado tempo” e “criar novas formas legais” de alcançar essa mesma justiça.Schumer lembrou que as vítimas de Esptein falaram durante anos e foram ignoradas, acabando por “esgotar” o “relógio do sistema”. E que há vítimas que precisam de anos para conseguir lidar com aquilo que acontece e não devem ser prejudicadas por isso. A lei leva o nome de Virginia Giuffre “porque ela falou”, disse Schumer. Giuffre tinha 16 anos quando foi recrutada para o esquema de tráfico sexual de Epstein, denunciando publicamente também ter sido vítima do príncipe André. Os vários processos que interpôs na justiça foram resolvidos em acordos monetários, mesmo com o filho de Isabel II sempre a negar as acusações. Virginia suicidou-se em abril de 2025.“Quero começar com uma única palavra. Uma palavra que significava tudo para a minha irmã. Uma palavra pela qual não vamos parar de lutar até que a verdadeira justiça seja feita, e essa palavra é mudança”, disse o irmão de Giuffre, Sky Roberts, emocionado na apresentação do projeto de lei. Questionado depois pelos jornalistas em relação a André Mountbatten-Windsor, Robert defendeu que ele devia testemunhar diante do Congresso dos EUA. “Precisa aparecer”, afirmou. Uma sondagem da Sky News revelou ontem que 82% dos britânicos defendem que o rei Carlos III deve encorajar o irmão a testemunhar. O monarca já retirou os títulos a André, obrigando-o a trocar a casa onde vivia por uma mais modesta numa propriedade privada do rei em Norfolk. 45% dos inquiridos pela YouGov acham que o rei já fez tudo o que podia para se distanciar do irmão, com 39% a defender que devia fazer mais. .Rei Carlos III retira título de príncipe ao irmão André