A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu esta terça-feira, 24 de março, no parlamento australiano que a Europa atravessa “um momento perigoso” num contexto internacional cada vez mais instável.“O mundo em que vivemos é brutal, duro e implacável. Parece estar de pernas para o ar”, afirmou a dirigente europeia, alertando que muitas das certezas do passado estão a ser postas em causa num cenário marcado por tensões geopolíticas e económicas.Von der Leyen sublinhou que a distância geográfica já não protege países como a Austrália, devido ao impacto das ameaças globais e ao avanço tecnológico.“Atores maliciosos podem alcançar as nossas fronteiras sem sair das deles”, disse, numa referência a riscos como a desinformação e a ingerência estrangeira.Neste contexto, destacou a necessidade de reforçar a resiliência coletiva e a cooperação entre aliados, defendendo que a segurança da Europa e da Austrália estão estreitamente ligadas. “Quando estamos lado a lado somos mais fortes”, afirmou.A presidente da Comissão Europeia alertou ainda contra uma dependência excessiva de determinados fornecedores, numa alusão à China, e sublinhou a importância de diversificar as cadeias de abastecimento para proteger a segurança económica e industrial.Von der Leyen chamou também a atenção para o impacto das alterações climáticas, que disse estarem a devastar comunidades na Europa, apelando a uma ação conjunta para enfrentar os seus efeitos e destacando que a transição energética integra a agenda comum das duas regiões.As declarações foram feitas durante o segundo dia da visita de três dias à Austrália, ocasião em que a União Europeia e o país assinaram um acordo de comércio livre após quase uma década de negociações.O pacto eliminará tarifas sobre exportações australianas chave como vinho, marisco e produtos hortícolas, e ampliará o acesso ao mercado europeu para carne de bovino e ovino, laticínios, arroz e açúcar. Também facilitará a entrada de bens industriais australianos sem taxas.Em paralelo, Bruxelas e Camberra anunciaram uma nova parceria em matéria de segurança e defesa, destinada a reforçar a cooperação em áreas como a indústria militar, a segurança marítima, o ciberespaço e o combate ao terrorismo e à desinformação. .António Costa vê próximo quadro orçamental da UE como "oportunidade histórica" para Portugal