Visita de Putin às Curilas reacende disputa territorial com o Japão
A primeira visita de Vladimir Putin às ilhas Curilas desde que chegou ao poder, em 2000, levou esta quinta-feira (13 de agosto) o Japão a convocar o embaixador russo em Tóquio e a apresentar um protesto formal.
Mesmo sem incluir quaisquer declarações políticas sobre as ilhas, a deslocação do presidente russo a Iturup, uma das quatro ilhas reivindicadas por Tóquio, depois de assistir a exercícios da frota russa do Pacífico, reavivou uma disputa territorial que há décadas condiciona as relações entre os dois países.
Em Iturup, Putin foi filmado em visitas a uma hospital, uma escola e uma fábrica de processamento de peixe, onde saboreou o caviar produzido localmente.
O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, convocou o embaixador russo, Nikolai Nozdriev, e apresentou um “enérgico protesto” contra uma visita que classificou como “extremamente lamentável” e com um impacto “extremamente negativo” nas relações bilaterais. Motegi reafirmou que as quatro ilhas que o Japão chama Territórios do Norte - Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai - “constituem uma parte inerente do território japonês”.
A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi considerou a deslocação “absolutamente inaceitável” e disse que irá dificultar ainda mais a recuperação das relações com Moscovo.
A Rússia mantém o controlo das ilhas desde os últimos dias da Segunda Guerra Mundial, quando a União Soviética ocupou o arquipélago. Moscovo sustenta que a soberania russa está consagrada em documentos internacionais do pós-guerra. A questão territorial impede há décadas a assinatura de um tratado de paz entre os dois países. Depois da invasão russa da Ucrânia, em 2022, o Japão endureceu a sua posição e voltou a descrever as ilhas como “ocupadas ilegalmente”.
com agências

