Violência sexual em conflitos armados regista "aumento vertiginoso" de mais de 100% desde 2024
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Violência sexual em conflitos armados regista "aumento vertiginoso" de mais de 100% desde 2024

As Nações Unidas alertam para um cenário "sombrio". Israel e Rússia incluídos na lista de países sob vigilância por alegada utilização da violência sexual como arma de guerra.
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Nesta sexta-feira (19 de junho) em que se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos, as Nações Unidas apontam que este tipo de violência registou um aumento superior a 100% em contexto de guerra desde 2024. Um cenário “sombrio”, descreve Pramila Patten, representante especial das Nações Unidas.

Foi registado um aumento vertiginoso de mais de 100% no número de casos confirmados de violência sexual desde 2024”, sublinhou Patten em declarações à agência EFE, apontando para dados do mais recente relatório anual da ONU, que incluem apenas situações verificadas diretamente pela organização. Segundo a responsável, “mais de 90% dos casos foram cometidos contra mulheres e raparigas”.

O Haiti surge como o país com mais casos reportados, com 1.863 agressões sexuais confirmadas, seguido pela República Democrática do Congo, com 1.534, e pelo Sudão, com 501.

O relatório assinala ainda a inclusão de Israel e da Rússia na lista de países sob vigilância da ONU por alegada utilização da violência sexual como arma de guerra. Sobre Israel, Patten afirmou que as Nações Unidas documentaram 31 casos atribuídos às forças de segurança israelitas, envolvendo 17 mulheres e raparigas e 14 homens palestinianos, “especialmente em contexto de centros de detenção”. A responsável sublinhou, contudo, que os dados são parciais, uma vez que a investigação foi “gravemente dificultada pela falta total de acesso dos observadores da ONU”.

Relativamente à Rússia, que em fevereiro de 2022 iniciou uma agressão militar ainda em curso contra a Ucrânia, a ONU verificou 310 casos de violência sexual atribuídos a forças russas. Segundo Patten, Moscovo “não disse uma única palavra” desde que recebeu, em agosto passado, a notificação sobre a sua inclusão nesta lista.

A responsável alertou ainda para as consequências dos cortes de financiamento, sobretudo dos Estados Unidos, nas operações das Nações Unidas. “No Afeganistão, foram encerrados 400 centros de saúde e mais de 100 centros de apoio à violência de género”, afirmou. Em países como a República Centro-Africana, o Mali e a Somália, acrescentou, “mais de 70% dos abrigos e serviços de apoio às vítimas estão a ser alvo de cortes”.

É extremamente frustrante visitar o terreno, ver o sofrimento das sobreviventes e não conseguir fazer o necessário”, lamentou Patten, apelando a um reforço urgente do financiamento internacional para garantir apoio médico e psicológico às vítimas.

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