O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, anunciou esta quinta-feira (28 de maio) o corte de relações com o gabinete do secretário-geral, António Guterres, após o seu país ter sido incluído na lista negra dos que usam a violência sexual como arma de guerra - uma lista onde também está o Hamas.Essa é uma “decisão ultrajante”, denunciou o embaixador num vídeo partilhado no X, acusando Guterres e a sua equipa de “espalharem mentiras contra Israel”. Danon insistiu que é inaceitável colocar Israel “na mesma lista que os terroristas do Hamas”, alegando que o seu país convidou os responsáveis da ONU a investigar as “acusações ridículas” e que eles optaram por não o fazer. .“Chegámos ao fim com este secretário-geral”, referiu ainda, defendendo que “equiparar o Estado democrático de Israel aos terroristas do Hamas é um nível de baixeza sem precedentes” e que “Israel protege os seus cidadãos enquanto o Hamas massacra, viola e rapta”. O grupo terrorista palestiniano foi adicionado à lista em agosto de 2025, depois de um relatório sobre atos de violação e agressão sexual durante o ataque de 7 de outubro de 2023 e contra os reféns israelitas. A inclusão de Israel nesta lista negra das Nações Unidas não foi ainda tornada oficial, mas foi avançada pelo jornal Jerusalem Post, que revelou que o Serviço Prisional israelita está entre as várias entidades adicionadas em 2026. Outras autoridades israelitas ficam sob monitorização, podendo ser incluídas no futuro. Segundo o jornal, os israelitas alegam que, após a inclusão do Hamas, houve pressão junto de Guterres para que acontecesse o mesmo a Israel. O mandato do secretário-geral termina no final deste ano. A notícia da inclusão de Israel na lista surge duas semanas depois de o jornal norte-americano The New York Times ter publicado um ensaio intitulado: “O silêncio que acompanha a violação de palestinianos”. O artigo do jornalista Nicholas Kristof detalhava alegações de que mulheres, homens e crianças palestinianas foram violadas e abusadas sexualmente em centros de detenção militar israelitas. O governo de Israel anunciou que vai processar o jornal norte-americano por difamação. “Vamos combater estas mentiras na opinião pública e nos tribunais. A verdade vai prevalecer”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, num comunicado citado pela Reuters.